Boneca do Toque: o uso das cores do semáforo na educação infantil

Ensinar as crianças sobre autonomia corporal e proteção é fundamental para garantir o desenvolvimento saudável e a segurança dos pequenos. Com o objetivo de abordar temas complexos como o limite do corpo e a prevenção contra a violência sexual, a enfermeira Raquel Cardoso de Souza desenvolveu a Boneca do Toque, um recurso pedagógico voltado para o público de 2 a 10 anos.

Metodologia baseada no semáforo

A ferramenta utiliza uma linguagem visual simples, inspirada nas cores do semáforo, para explicar quais partes do corpo podem ou não ser tocadas. O vermelho sinaliza áreas íntimas e locais que exigem proteção, como a boca. O amarelo funciona como um alerta de atenção, enquanto o verde indica regiões onde o contato é permitido, desde que haja o consentimento da criança.

O projeto auxilia pais, professores e profissionais da saúde a dialogar sobre toques que são necessários, como os momentos de higiene e cuidados médicos, estabelecendo critérios claros sobre quem pode realizar essas ações e sempre respeitando a vontade da criança. O intuito principal é capacitar os pequenos a identificar situações inadequadas e reconhecer figuras de confiança para buscar auxílio.

Personalização como ferramenta de identificação

Um dos grandes diferenciais da Rack Arts é a possibilidade de criar bonecas que reflitam as características físicas reais das crianças. O brinquedo pode ser confeccionado com diferentes texturas de cabelo, tons de pele e até representar crianças com deficiência.

“Só enviar uma foto ou solicitar com aquela característica específica”, explica Raquel.

Essa estratégia de personalização visa gerar maior proximidade e familiaridade, facilitando o processo de aprendizado e a autoidentificação.

Origem e propósito do projeto

A trajetória da criação começou durante o período de isolamento social causado pela pandemia de Covid-19, quando a enfermeira buscou no artesanato uma forma de ocupar a mente. Após concluir seu mestrado, ela teve contato com um conceito semelhante apresentado por uma psicóloga. A partir disso, Raquel adaptou a ideia e estabeleceu a identidade da Rack Arts.

A enfermeira reforça que o foco é a conexão emocional entre o brinquedo e o usuário: “Essa boneca é toda personalizada, para que ela possa parecer o máximo possível com a própria criança, gerando uma identificação entre boneca e criança, ajudando em um maior entendimento dos pequenos.”

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