A 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) reuniu cerca de 6,5 mil pessoas em Cuiabá, entre 21 e 23 de outubro, e terminou com a premiação de projetos estudantis e equipes de inovação. Realizado pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci-MT), o evento reconheceu nove trabalhos da Mostra Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (MECTI), contemplou 20 projetos com bolsas de iniciação científica e premiou três equipes do Hack Festival Estadual.
A programação ocorreu no Centro de Eventos do Pantanal, com entrada gratuita e atividades voltadas à pesquisa, à inovação e à cultura digital. Segundo dados preliminares divulgados pela organização, o encontro contou com participantes de 18 municípios, além de palestras, oficinas, exposições e apresentações científicas.
O secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, Dimorvan Alencar Brescancim, destacou o papel da iniciativa na aproximação entre a população e a produção científica. Para ele, incentivar pesquisas desde a educação básica ajuda a formar novos pesquisadores e amplia as oportunidades para estudantes desenvolverem soluções para problemas reais.
Programação reuniu milhares de participantes
Durante os três dias, foram realizadas 15 palestras e 14 oficinas e workshops, além de rodas de conversa, exposições e apresentações de trabalhos. As palestras somaram aproximadamente 3 mil participações, enquanto as oficinas e os workshops registraram cerca de 2 mil, conforme as estimativas preliminares da organização.
O espaço também recebeu 20 estandes de instituições parceiras. A proposta foi aproximar estudantes, pesquisadores e público em geral de temas científicos e tecnológicos, com atividades de divulgação do conhecimento e demonstrações de projetos desenvolvidos por instituições de ensino.
A participação de representantes de 18 municípios ampliou o alcance estadual da programação. A iniciativa também deu visibilidade a pesquisas que abordam desafios ambientais, educacionais, sociais e produtivos, com propostas desenvolvidas por estudantes de diferentes níveis de ensino.
MECTI reconheceu nove projetos científicos
A 18ª Mostra Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação recebeu 294 trabalhos inscritos. As propostas foram distribuídas entre as categorias Ciências, Engenharias e Economia Criativa, contemplando projetos dos níveis Fundamental, Médio e Médio/Técnico.
Os trabalhos abordaram assuntos como sustentabilidade, preservação ambiental, tecnologia, educação e saúde. A diversidade de temas demonstra como atividades de iniciação científica podem aproximar conteúdos escolares da busca por soluções para questões presentes nas comunidades.
Categoria Ciências
- Conexões: Primatas e Clima em Foco: desenvolvido pela Escola Estadual São Luiz, de Cáceres.
- Tubete Biodegradável para Agricultura Sustentável: apresentado pela Escola Técnica Estadual de Tangará da Serra.
- EcoLab+: Laboratório de Bolso Sustentável e Acessível para a Democratização do Ensino de Ciências: desenvolvido pelo SENAI Várzea Grande.
Categoria Engenharias
- Desenvolvimento de uma Estufa Inteligente usando Arduino: da Escola Estadual Dr. Leopoldo Ambrósio Filho, de Cáceres.
- ArcheoBrush: Pincel Inteligente de Preservação Arqueológica: do SESI Escola de Várzea Grande.
- UmiTech: Sistema Automatizado de Controle de Umidade em Estoque de Lâminas de Madeira via Arduino: do SENAI Aripuanã.
Categoria Economia Criativa
- SOS Ribeirinho: Tecnologia Social e Comunicação de Emergência Offline para Barão de Melgaço: do Colégio Ibero Americano, de Cuiabá.
- Águas Pantaneiras EduCa: também desenvolvido pelo Colégio Ibero Americano.
- Agro Makers: Criatividade, Reciclagem e Brincar: do SENAI Rondonópolis.
Os projetos premiados apresentam diferentes formas de aplicar conhecimento científico e recursos tecnológicos. Entre os exemplos estão o uso de Arduino para automação, o desenvolvimento de materiais voltados à sustentabilidade e a criação de ferramentas de comunicação para situações de emergência.
Bolsas incentivam a continuidade das pesquisas
Além dos prêmios da mostra, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat) contemplou 20 projetos com bolsas de Iniciação Científica Júnior. Os benefícios têm duração de até 12 meses, conforme as condições de implementação previstas para a iniciativa.
O objetivo é estimular a continuidade das pesquisas e contribuir para a formação de novos pesquisadores. O apoio pode ajudar estudantes a aprofundar os trabalhos apresentados durante a mostra e a desenvolver conhecimentos em investigação científica.
O incentivo à pesquisa na educação básica também permite que os alunos tenham contato com etapas do trabalho científico, como a formulação de perguntas, a elaboração de hipóteses, a realização de testes e a análise de resultados. A concessão das bolsas, porém, não significa que todos os projetos terão os mesmos recursos ou condições de execução, pois a implementação depende das regras aplicáveis.
Hack Festival e instituições parceiras
A primeira edição do Hack Festival Estadual reuniu 30 estudantes em sete equipes. Os participantes enfrentaram desafios para desenvolver soluções voltadas à divulgação da ciência, da tecnologia e da inovação, com valorização da participação feminina no setor.
A equipe TatuDoBem, do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), campus Várzea Grande, ficou em primeiro lugar, com 96 pontos. A equipe Quânticos, do Senac Cuiabá, alcançou a segunda posição, com 85,33 pontos. Já a Quantum Forges, da Escola Técnica Estadual de Várzea Grande, terminou em terceiro, com 84,33 pontos.
As três equipes receberam troféus, enquanto os 30 estudantes que participaram da etapa final ganharam medalhas de participação. A premiação reconheceu o desempenho dos grupos em uma atividade voltada à criação de soluções tecnológicas e à colaboração entre os participantes.
Instituições parceiras também ofereceram prêmios para incentivar a continuidade dos estudos. A Recytec e o Programa Programando o Futuro disponibilizaram 20 computadores recondicionados para estudantes participantes.
A Faculdade Católica UNIFACC concedeu duas bolsas integrais de graduação, destinadas aos projetos BioCuraSense, para o curso de Biomedicina, e AstroEscola, para Enfermagem. A Águas Cuiabá premiou projetos com um tablet e uma impressora 3D, enquanto a Aprosoja MT ofereceu um notebook ao trabalho Solaria — Cultivando o Amanhã.
A Agência B+ Soluções entregou um smartphone e um fone de ouvido. Já a FARMUN contemplou dois projetos com premiações especiais e concedeu aos estudantes acesso temporário à plataforma educacional Trilhar, ampliando as possibilidades de aprendizagem depois do encerramento da programação.
O que o incentivo à ciência representa
A premiação de projetos, a concessão de bolsas e a oferta de equipamentos podem contribuir para que estudantes mantenham suas pesquisas e tenham acesso a ferramentas de aprendizagem. Os resultados práticos dependem, no entanto, da continuidade do apoio, da orientação educacional e das condições para executar cada iniciativa.
O balanço divulgado pela Seciteci-MT reúne indicadores de participação e premiações, mas não apresenta uma avaliação de longo prazo sobre o impacto dos projetos ou a evolução acadêmica dos estudantes contemplados. Esses dados seriam necessários para medir os resultados da iniciativa além do período do evento.
Estudantes, educadores e instituições de ensino interessados em acompanhar novas oportunidades podem consultar os canais oficiais da Seciteci-MT e da Fapemat para verificar futuras edições, chamadas de pesquisa e critérios de participação.
Reportagem baseada nas informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso (Seciteci-MT) e nos dados fornecidos sobre a programação, os projetos premiados e as instituições parceiras.
Google Notícias
Siga o CenárioMT
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.