A Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) contestou formalmente os dados divulgados em um relatório do Observatório Socioambiental de Mato Grosso (Observa-MT) que apontava que 31% da vegetação nativa suprimida no estado durante o primeiro semestre de 2026 ocorreu sem autorização ambiental.
De acordo com o balanço da Agenda Socioambiental de Mato Grosso, o estado registrou a perda de 41.245,5 hectares de vegetação nativa entre janeiro e junho, o que representaria uma queda de 37% em relação ao mesmo período de 2025. Contudo, o relatório aponta que a proporção de supressões ilegais passou de 34% em 2025 para 31% nos primeiros seis meses deste ano, além de indicar que 96% das áreas desmatadas estavam em imóveis com Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Contraponto da Sema-MT, Divergências Metodológicas e Ações de Fiscalização
Em resposta aos questionamentos, a Sema-MT destacou que os números devem ser analisados com cautela, levando em conta as distintas bases de dados e metodologias aplicadas, ressaltando que áreas inicialmente sem licença podem ter sofrido autuações ou embargos posteriores:
Diferenças Estatísticas: Como contraponto, a pasta citou o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD-2025) do MapBiomas, segundo o qual 93% da área desmatada em Mato Grosso naquele ano contava com autorização ou passou por intervenção de fiscalização. A secretaria também apontou divergências na contagem de alertas em relação aos dados do Observa-MT.
Balanço Operacional: A pasta informou que, apenas em 2025, realizou 4.196 autuações por desmatamento ilegal e incêndios, embargou cerca de 121 mil hectares e aplicou R$ 2,9 bilhões em multas, com 80% das ações de forma presencial. Para 2026, o governo estadual destinou cerca de R$ 134 milhões para o monitoramento via satélite, prevenção e combate a ilícitos ambientais, apontando ainda queda de 25% no desmatamento entre agosto de 2025 e julho de 2026 segundo o Deter/Inpe.
A secretaria reforça que a avaliação do desmatamento em Mato Grosso exige uma leitura conjunta entre licenças emitidas e o esforço contínuo de fiscalização integrada entre órgãos estaduais e federais.
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