A Dacia quer transformar seu EV mais barato em uma opção mais convincente para a Europa sem abandonar a simplicidade que marcou a primeira geração.
O novo Spring estreia completamente redesenhado e inaugura uma sequência de quatro modelos totalmente elétricos que a marca pretende lançar até o fim da década.
A renovação ocorre sob maior pressão regulatória, já que a União Europeia exige redução de 90% nas emissões médias de CO2 das frotas até 2035, ante 2021.
Desde 2021, o pequeno modelo acumulou mais de 210.000 vendas em mais de 40 países, criando uma base relevante para sua segunda geração.
A produção também muda de continente, deixando a China para ocupar a fábrica do Grupo Renault em Novo Mesto, na Eslovênia.

Visualmente, a carroceria fica mais vertical e robusta, com dianteira marcada, caixas de roda destacadas e elementos pretos unindo faróis e lanternas.
O crescimento é considerável: agora são 3,85 m de comprimento e 1,74 m de largura, aumentos respectivos de 15 cm e 18 cm.
Mesmo maior, o Spring continua claramente urbano e preserva até detalhes pouco comuns atualmente, como os vidros traseiros que abrem parcialmente para fora.
A motorização utiliza um único propulsor elétrico de aproximadamente 81 cv e 17,8 kgfm, números suficientes para uma proposta concentrada em deslocamentos cotidianos.
A aceleração de 0 a 100 km/h leva 12,1 segundos, enquanto a velocidade máxima chega a 130 km/h.

A bateria LFP possui 27,5 kWh e entrega autonomia de até 250 km pelo ciclo WLTP, apenas ligeiramente superior à geração anterior.
Segundo a Dacia, proprietários do antigo Spring percorriam em média somente 34 km diariamente, enquanto 75% realizavam suas recargas em casa.
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Esse padrão ajuda a explicar a escolha por uma bateria relativamente pequena, priorizando custo e utilização urbana em vez de longas distâncias.
O carregador padrão de 6,6 kW leva nove horas para passar de 15% a 80% utilizando uma tomada doméstica.
Uma alternativa de 11 kW reduz esse intervalo para 1 hora e 55 minutos, enquanto a recarga rápida opcional de 50 kW completa o mesmo processo em 28 minutos.

A cabine também avança, oferecendo painel digital de 7 polegadas e central multimídia de 10,1 polegadas sem eliminar diversos botões físicos.
A Dacia manteve ainda comandos separados de volume atrás do volante, uma característica tradicional do Grupo Renault, além do seletor de marchas nessa região.
O porta-malas oferece 337 litros e pode chegar a 1.283 litros após o rebatimento dividido em 50:50 do banco traseiro.
Há ainda um compartimento dianteiro opcional de 18 litros, pensado principalmente para armazenar o cabo de recarga e pequenos objetos.

Dependendo da versão, aparecem acesso sem chave, câmera traseira, Apple CarPlay e Android Auto sem fio, navegação conectada e o sistema modular YouClip.
O Spring também pode receber função V2L, permitindo utilizar a bateria para alimentar pequenos equipamentos elétricos fora do veículo.
Uma câmera instalada na coluna dianteira integra o monitoramento do motorista, equipamento obrigatório nos automóveis novos comercializados atualmente na União Europeia.
O preço continua sendo um dos principais argumentos, ficando abaixo de €20.000 (R$ 122.000) em toda a Europa antes de incentivos governamentais.

Na Itália, a versão básica parte de €17.900 (R$ 109.200), enquanto a configuração superior custa €19.500 (R$ 119.000).
O posicionamento ganha peso porque 22,2% dos carros novos vendidos no primeiro semestre entre União Europeia, Reino Unido e EFTA já eram totalmente elétricos.
A segunda geração, portanto, mantém a fórmula essencial do Spring, mas adiciona mais espaço, tecnologia e presença visual para disputar uma fase mais madura do mercado europeu de EVs.
