O que você precisa saber
- A Nova Zelândia autorizou o uso do MDMA para tratar transtorno de estresse pós-traumático.
- O país é o segundo do mundo a liberar a substância para esse fim, após a Austrália (2023).
- O tratamento exige combinação obrigatória com psicoterapia, em ambiente clínico controlado.
- Apenas pacientes maiores de 18 anos podem ser beneficiados, sem levar a substância para casa.
A Nova Zelândia deu um passo inédito na área da saúde mental ao autorizar, nesta sexta-feira (4), o uso terapêutico do MDMA no tratamento de pacientes com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). A decisão partiu do Medsafe, órgão regulador de medicamentos do país, que concedeu a dois psiquiatras a autorização para prescrever a substância de grau farmacêutico.
Com essa medida, o país passa a ser o segundo no mundo a aprovar o uso do MDMA para essa finalidade, seguindo o exemplo da Austrália, que já havia adotado a mesma postura em 2023.
Tratamento exige combinação obrigatória com psicoterapia
Segundo o Ministério da Saúde da Nova Zelândia, o uso do MDMA não pode ocorrer de forma isolada: o tratamento precisa necessariamente ser combinado com sessões de psicoterapia, seguindo o modelo conhecido internacionalmente como terapia assistida por substâncias psicodélicas. As regras estabelecidas pela agência reguladora também determinam que apenas pacientes maiores de 18 anos podem ser beneficiados pelo tratamento, e que, em nenhuma hipótese, a substância pode ser levada para casa pelos pacientes, permanecendo restrita ao ambiente clínico controlado.
Autoridades destacam potencial terapêutico da substância
O vice-primeiro-ministro neozelandês, David Seymour, celebrou a decisão e destacou publicamente a gravidade do transtorno de estresse pós-traumático, descrevendo a condição como algo que compromete profundamente a vida das pessoas e que apresenta grande dificuldade de tratamento pelos métodos convencionais. Segundo ele, o MDMA pode ser muito eficaz no tratamento do transtorno quando aplicado por meio de terapia assistida por psicodélicos.
“O TEPT arruína vidas e é difícil de tratar. O MDMA pode ser muito eficaz para tratá-lo por meio de terapia assistida por psicodélicos.” — David Seymour, vice-primeiro-ministro da Nova Zelândia
Seymour já havia se posicionado favoravelmente a esse tipo de abordagem terapêutica anteriormente, tendo apoiado, no ano passado, a aprovação do uso de cogumelos alucinógenos para casos de depressão grave no país.
Estados Unidos ainda resistem à aprovação da substância
Enquanto Nova Zelândia e Austrália avançam na regulamentação do MDMA para fins terapêuticos, os reguladores dos Estados Unidos seguem com uma postura mais cautelosa, alegando que ainda não haveria evidências suficientes de segurança e eficácia da substância para justificar sua aprovação no país norte-americano.
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