O estado de Mato Grosso está aproveitando o crescente interesse nacional por fenômenos aéreos para diversificar sua oferta de destinos turísticos. A aposta da vez é o ufoturismo, um segmento que une paisagens naturais a narrativas de mistério e relatos de avistamentos, atraindo um público fiel de pesquisadores e curiosos.
A estratégia foi apresentada com destaque durante a FIT Pantanal 2026, realizada em Cuiabá, onde ocorreu a II Jornada Brasileira de Ufoturismo. Municípios como Barra do Garças e Chapada dos Guimarães já figuram como protagonistas dessa nova vitrine econômica para o estado.
O potencial econômico dos enigmas celestiais
Pesquisadores apontam que Mato Grosso possui uma das maiores incidências de registros ufológicos do Brasil. Essa reputação não é recente, remontando ao século XIX, com registros que datam de 1846 sobre objetos luminosos observados no Rio Cuiabá, consolidando o estado como um epicentro histórico do tema.
Mato Grosso detém um acervo rico em registros fotográficos e relatos que colocam o estado em posição de destaque absoluto no cenário nacional.
A combinação de natureza exuberante e lendas locais cria o ambiente perfeito para o chamado “turismo de nicho”. Ao integrar esses cenários a uma infraestrutura receptiva, o setor público enxerga uma oportunidade clara de movimentar a economia local e aumentar o tempo de permanência dos visitantes nas regiões citadas.
Barra do Garças e o pioneirismo do Discoporto
Entre os destinos que mais se beneficiam, Barra do Garças se destaca mundialmente pela estrutura de seu Discoporto. Criado a partir de uma lei municipal aprovada em 1995, o espaço reserva uma área no Parque Estadual da Serra Azul simbolicamente destinada ao pouso de naves, transformando o folclore em um ativo turístico real.
O Discoporto de Barra do Garças é o único lugar no mundo credenciado por legislação municipal para receber objetos voadores não identificados.
Além da estrutura oficial, a Serra do Roncador é um ímã para visitantes estrangeiros e brasileiros. O local é frequentemente citado em rotas de turismo místico, que caminham lado a lado com as experiências de ufoturismo, garantindo uma circulação contínua de pessoas interessadas nos fenômenos da região.
Referência nacional em turismo temático
O sucesso da inclusão do tema na FIT Pantanal 2026 é o maior indício de que o setor busca profissionalização. O objetivo agora é organizar os produtos turísticos, como trilhas, observatórios e visitas guiadas aos locais de avistamento, para que o segmento seja reconhecido formalmente pelo mercado.
A formalização do ufoturismo como produto turístico organizado pode ampliar significativamente o fluxo de visitantes em municípios estratégicos do estado.
Locais como o Morro do Pião, em Tesouro, e a Caverna Aroe Jari, em Chapada dos Guimarães, completam o circuito. Para os gestores municipais, o desafio agora é estruturar essas experiências para atrair o público que busca roteiros diferenciados e experiências temáticas.

Como o ufoturismo movimenta Mato Grosso
Para o consumidor e o pequeno empresário mato-grossense, o fortalecimento de nichos como o ufoturismo significa a abertura de novas frentes de trabalho. Quando o estado se torna referência em um turismo temático, ele atrai um perfil de visitante que demanda serviços especializados, como guias capacitados, hospedagens temáticas e roteiros personalizados, impulsionando o turismo local e criando oportunidades de renda que vão muito além da agropecuária tradicional.
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