A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio de dados validados pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), confirmou que todas as ocorrências de feminicídio registradas no estado durante o ano de 2025 tiveram suas autorias identificadas.
O relatório da Diretoria de Inteligência aponta que o estado alcançou o índice máximo de resolutividade na fase investigativa, resultando na responsabilização formal de 56 suspeitos envolvidos em 53 casos contabilizados.
O monitoramento detalhado revela que o rigor nas investigações resultou na prisão de 84% dos autores (47 indivíduos). Do restante, sete morreram (sendo cinco por suicídio após o crime), um encontra-se foragido com mandado de prisão em aberto e um segue sob investigação específica em Nova Mutum. Segundo a delegada-geral Daniela Maidel, a meta do estado é converter a eficiência repressiva em um pilar de proteção à vida e garantia de direitos.
Perfil dos crimes e fatores de risco
A análise estatística dos casos ocorridos em 36 municípios mato-grossenses traça um perfil claro da violência de gênero no estado. A residência da vítima permanece como o local mais perigoso, sendo palco de 72% dos crimes. No que se refere aos meios utilizados, as armas brancas superaram as armas de fogo, sendo empregadas em 43% dos episódios.
Vínculo e motivação: O sentimento de posse
O relatório reforça que a violência doméstica e familiar é a raiz da maioria esmagadora das tragédias, respondendo por 83% das motivações. O sentimento de posse e o ciúme foram identificados como gatilhos em 66% das ocorrências.
- 79% dos agressores eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas;
- 47% mantinham relacionamento ativo (cônjuges ou namorados);
- 32% eram ex-companheiros que não aceitavam o término da relação.
Além da punição dos culpados, o levantamento foca no impacto colateral da violência, como o número de órfãos deixados pelos crimes. A tipificação do feminicídio, em vigor desde 2015, prevê penas rigorosas de 12 a 30 anos de reclusão, mas a Sesp destaca que o foco institucional agora se volta para o fortalecimento das medidas protetivas e das redes de acolhimento para impedir que a violência chegue ao desfecho letal.
A integração entre delegacias especializadas e o Observatório da Violência permite ao estado monitorar o histórico de denúncias prévias, buscando identificar falhas na rede de proteção e aprimorar as políticas públicas de prevenção primária.
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