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Maior acionista da Volkswagen apoia mudanças profundas enquanto grupo cogita abrir suas fábricas para empresas do setor de defesa

familia porsche piech

Cortar custos deixou de ser apenas uma alternativa para a Volkswagen e passou a ser tratado por seus principais acionistas como condição necessária para preservar a competitividade do grupo.

A Porsche SE, controlada pelas famílias Porsche e Piëch, elevou publicamente a pressão sobre a administração justamente quando a montadora avalia uma ampla reestruturação.

A Volkswagen já confirmou que analisa eliminar até 100.000 postos de trabalho, o dobro da quantidade mencionada anteriormente em seus planos de redução.

O objetivo é enfrentar a queda dos lucros, o peso de bilhões de euros em tarifas e a concorrência cada vez maior das fabricantes chinesas.

Hans Dieter Pötsch, presidente do conselho de administração da Porsche SE, afirmou que o Grupo Volkswagen chegou a um momento decisivo para seu futuro.

Segundo Pötsch, as decisões tomadas agora determinarão os próximos anos da companhia, exigindo responsabilidade de todas as partes envolvidas na reorganização do negócio.

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O executivo também alertou que adiar escolhas tende a ampliar os problemas e defendeu prioridade absoluta para medidas consideradas necessárias sob critérios empresariais e econômicos.

Johannes Lattwein, membro do conselho responsável por finanças e tecnologia da informação na Porsche SE, também pediu mudanças rápidas na estrutura da Volkswagen.

Para Lattwein, é indispensável reduzir capacidade excedente, diminuir significativamente os custos e tornar os processos internos de decisão e execução mais eficientes.

A Porsche SE declarou apoio às propostas apresentadas pela administração do grupo e afirmou que todas as possibilidades devem ser consideradas para recuperar competitividade.

A holding possui 31,9% do capital da Volkswagen e controla 53,3% dos direitos de voto, tornando-se seu maior acionista individual e uma voz determinante.

Essa pressão aparece junto aos resultados da própria Porsche SE, que encerrou o primeiro semestre com lucro ajustado após impostos de € 949 milhões (R$ 6,44 bilhões).

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O número representa redução de 14,5% em relação ao mesmo período anterior e reflete também as dificuldades enfrentadas pelos principais investimentos da holding.

A Volkswagen respondeu à CNBC dizendo que as declarações da Porsche SE confirmam sua própria avaliação sobre o plano futuro e a urgência da implementação.

Oliver Blume, CEO da Volkswagen, já havia afirmado em 24 de julho que a companhia possui estratégia, plano concreto e equipes preparadas para executar as mudanças.

Segundo Blume, o elemento ausente é justamente tempo, motivo pelo qual diversas iniciativas previstas na reorganização já começaram a ser colocadas em prática.

O executivo declarou que a meta central é garantir a competitividade de longo prazo e assegurar o futuro de um grupo que reúne diversas marcas automotivas.

Arno Antlitz, diretor financeiro da Volkswagen, também destacou recentemente custos tarifários elevados e o crescimento das exportações chinesas para a Europa entre os principais desafios.

Questionado sobre alternativas para evitar o fechamento de unidades industriais, Antlitz afirmou que a companhia considera diferentes possibilidades para melhorar o aproveitamento de suas fábricas.

Entre as hipóteses discutidas está até a utilização de capacidade industrial por empresas do setor de defesa, embora nenhuma decisão definitiva tenha sido anunciada.

Antlitz ressaltou que a prioridade não é simplesmente reduzir pessoal ou fechar fábricas, mas diminuir custos, elevar produtividade e melhorar o uso da capacidade instalada.

As ações da Volkswagen ficaram praticamente estáveis na sexta-feira, embora acumulem queda de aproximadamente 27% desde o início do ano.

A mensagem de seus controladores, entretanto, tornou-se especialmente clara: mudanças profundas precisam avançar rapidamente para evitar que a Volkswagen perca espaço permanente diante de concorrentes internacionais.

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