O último integrante de um grupo condenado por um crime bárbaro cometido no início do século foi capturado após passar quase 25 anos foragido da Justiça de Mato Grosso. Um homem de 48 anos, sentenciado a 12 anos e seis meses de reclusão pelo crime de estupro qualificado em Peixoto de Azevedo, foi preso na última quarta-feira (17) no interior do estado de São Paulo. A prisão é o resultado de uma operação integrada de inteligência entre a Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso e a Polícia Civil paulista.
O mandado de prisão definitiva foi cumprido por agentes locais após semanas de cruzamento de dados e monitoramento cibernético estruturado pela Delegacia Municipal de Peixoto de Azevedo, em coordenação com o distrito policial de Queiroz (SP).
Foragido mantinha vida discreta e trabalhava na zona rural paulista
A engenharia da investigação criminal apontou que o criminoso adotava um perfil extremamente discreto para burlar os sistemas de segurança e evitar a checagem de seus antecedentes criminais. Os levantamentos de campo indicaram que o homem mantinha residência fixa no município de Clementina (SP), mas exercia suas atividades profissionais cotidianas em propriedades agrícolas localizadas na zona rural da cidade vizinha de Queiroz (SP), ponto exato onde foi interceptado e detido pelas equipes de captura.
Com a confirmação da identidade e a localização exata do alvo, as polícias dos dois estados articularam o cerco tático, encerrando o longo período de impunidade que cercava o caso.
Crime chocou o Norte de MT em 2001 durante festa de “Vaquejada”
Os autos do processo detalham que o crime de estupro qualificado em Peixoto de Azevedo ocorreu na madrugada de 14 de maio de 2001, em uma área de eventos tradicionalmente conhecida como “Vaquejada”. Na ocasião, o capturado, acompanhado de outros dois comparsas, utilizou de extrema violência física e graves ameaças para subjugar e abusar sexualmente de uma adolescente que, à época, tinha menos de 16 anos.
A brutalidade da investida resultou em severas lesões corporais e traumas psicológicos profundos à vítima. Os outros dois coautores do crime já haviam sido localizados e cumprem suas respectivas penas no sistema prisional. Com a detenção do terceiro envolvido, o Poder Judiciário extingue a pendência executória do caso, garantindo o desfecho integral da ação penal.
Perseverança da Polícia Civil garante cumprimento da sanção penal
O delegado titular responsável pela coordenação das investigações em Mato Grosso, Thiago Pinheiro Barros, pontuou que a passagem do tempo não arrefece o compromisso institucional da polícia com a aplicação da lei. Barros destacou que a captura envia uma mensagem clara de que crimes de alta gravidade, especialmente os cometidos contra a dignidade sexual de vulneráveis, permanecem no radar do aparato de segurança.
Após passar pelas audiências de custódia e exames de corpo de delito obrigatórios na comarca paulista, o homem foi transferido para uma unidade prisional de segurança máxima, onde iniciará o cumprimento imediato da pena restritiva de liberdade decretada pela comarca de Mato Grosso.
Reportagem baseada em certidões de trânsito em julgado de sentenças condenatórias, mandados de prisão da Comarca de Peixoto de Azevedo e relatórios de inteligência compartilhados pela Polícia Civil do Estado de São Paulo.
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