A deflagração da Operação Tomada de Contas desencadeou um terremoto institucional no Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT).
O que começou como uma apuração sobre contratos administrativos transformou-se no desmonte de uma engrenagem financeira complexa que, segundo a Polícia Federal, canalizou cerca de R$ 28 milhões para as contas de apenas três intermediários ligados à alta administração do órgão.
As ordens de prisão e busca e apreensão expedidas pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), baseiam-se em um conjunto de provas que inclui monitoramento de agências bancárias, análise de ordens de pagamento avulsas e cruzamento de dados de inteligência financeira.
O circuito das notas: a rota do dinheiro até a sede do Tribunal
Em vez de transferências diretas entre os favorecidos finais, as apurações apontam para a criação de um “colchão financeiro” formado por operadores encarregados de converter saldos de contas públicas em papel-moeda. A Polícia Federal identificou o papel desempenhado por cada um dos três servidores detidos:
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O centralizador das operações (R$ 15,8 milhões): Gustavo Fernandes da Silva, assistente da Consultoria Jurídica Geral, responde pelo maior volume de repasses suspeitos. O valor foi distribuído de forma fracionada em 144 ordens bancárias avulsas, pulverizadas em oito contas mantidas em sete bancos distintos. Câmeras de segurança registraram o advogado efetuando saques massivos diretamente no caixa.
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A rede de contas paralelas (R$ 9,9 milhões): O advogado Felipe José Glinke movimentou R$ 9,6 milhões desse total por meio de 80 ordens avulsas em seis instituições bancárias. Registros do circuito interno de agências capturaram o investigado em manobras de saque ocorridas entre setembro e outubro de 2025.
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A logística das mochilas (R$ 2,28 milhões): Apontado como o elo de transporte do grupo, o servidor Adriangelo Barros Antunes, ex-cunhado do presidente da Corte, foi flagrado por câmeras no dia 14 de outubro de 2025. As imagens mostram o servidor entrando em uma agência com uma mochila vazia e saindo com o compartimento visivelmente estufado em direção ao prédio do TCE-MT. Parte dos seus saldos foi repassada para familiares na tentativa de blindar o patrimônio.
O impacto na cúpula: prisões e desmantelamento do colegiado
A extensão das medidas cautelares atingiu o topo da hierarquia do órgão de controle externo:
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Prisões preventivas: Além dos três operadores, a Polícia Federal prendeu o presidente afastado do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida — contra quem pesam registros de 150 operações de saque em espécie que totalizam R$ 15,6 milhões —, o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia e a chefe de gabinete Roseli Loss.
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Afastamentos do cargo: O STJ determinou o afastamento imediato dos conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Alencar, além de atingir o conselheiro aposentado Valter Albano, que mantinha assento na comissão de fiscalização do tribunal.
A engrenagem por trás das fraudes: pressão sobre fornecedores e caixa dois
As investigações expõem duas frentes de atuação criminosa dentro do tribunal:
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Estrangulamento contratual: A suspensão intencional de contratos vigentes era utilizada como instrumento de coerção sobre prestadores de serviço do estado. A liberação das faturas dependia da adesão do fornecedor ao esquema de repasses.
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Via paralela de pagamento: O grupo criou um canal oculto de remuneração — fora da folha oficial de pagamento do TCE-MT — alimentado por recursos destinados originalmente a contratos de prestação de serviços. A partir desse mecanismo, recursos públicos eram sacados na boca do caixa para distribuição em dinheiro vivo, dificultando o rastreamento pelos órgãos de controle.
Os fatos apurados pela Polícia Federal configuram indícios de lavagem de dinheiro, formação de organização criminosa e delitos contra a Administração Pública.
Perguntas frequentes sobre a Operação Tomada de Contas
Como funcionava o esquema das ordens bancárias avulsas no TCE-MT?
Em vez de utilizar a folha de pagamento oficial, os investigados emitiam ordens avulsas de pagamento destinadas a fornecedores e transferiam as quantias para contas de intermediários, que sacavam o dinheiro físico em agências bancárias.
Quantos conselheiros do tribunal foram afastados pela decisão do STJ?
Quatro conselheiros foram alvos de afastamento cautelar: três em exercício (Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Alencar) e um aposentado que atuava em comissão interna (Valter Albano).
Qual o volume total de saques em espécie atribuído diretamente ao presidente afastado?
As planilhas da Polícia Federal indicam 150 operações de saque em caixa efetuadas em benefício direto de Sérgio Ricardo de Almeida, somando R$ 15,6 milhões no período de dez meses.
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