O Brasil encerrou 2025 com 10,4 milhões de mulheres à frente de negócios próprios. Em dez anos, o empreendedorismo feminino cresceu 27%, segundo levantamento do Sebrae. Os números revelam uma transformação importante na economia brasileira, mas também nos convidam a uma reflexão: estamos criando condições para que essas mulheres prosperem ou apenas celebrando o aumento de quem precisa empreender?
Essa pergunta se torna ainda mais necessária quando observamos que, apesar dos avanços, as empreendedoras brasileiras continuam recebendo, em média, 24% menos que os homens donos de negócios. A desigualdade persiste mesmo com o crescimento da escolaridade feminina. Isso mostra que talento, qualificação e disposição para trabalhar nem sempre são suficientes para garantir oportunidades equivalentes.
Em Mato Grosso, o movimento também é expressivo. Pesquisa divulgada pelo Sebrae/MT em março deste ano aponta a existência de 244 mil mulheres donas de negócios no estado, crescimento de 20% em relação a 2025. São mulheres que movimentam o comércio, os serviços e diferentes setores da economia, geram renda e transformam a realidade de suas famílias.
Entretanto, empreender ainda significa enfrentar obstáculos que vão muito além da gestão de uma empresa. A dificuldade de acesso ao crédito, a sobrecarga doméstica, a maternidade e a ausência de redes de apoio continuam interferindo nas possibilidades de crescimento. Muitas mulheres precisam administrar, ao mesmo tempo, o negócio, a casa, os filhos e as expectativas de uma sociedade que ainda distribui de maneira desigual essas responsabilidades.
Ao longo da minha trajetória como empresária e mentora, tenho observado que uma das mudanças mais importantes acontece quando as mulheres encontram espaços para compartilhar experiências, desenvolver conhecimentos e construir relações profissionais. Uma conexão pode abrir portas para um novo mercado. Uma mentoria pode ajudar a reorganizar um negócio. Uma parceria pode representar a oportunidade que faltava para uma empresa avançar.
É por acreditar nessa força coletiva que construímos o Mulher Potência, que chega à décima edição em cinco anos. Durante esse período, acompanhamos histórias de mulheres em diferentes momentos de suas trajetórias, desde aquelas que estão começando até empresárias que buscam ampliar seus negócios e fortalecer suas marcas. Essa convivência reforçou minha convicção de que conhecimento, relacionamento e oportunidades precisam caminhar juntos.
O crescimento do empreendedorismo feminino merece ser celebrado. Mas o nosso próximo desafio é transformar quantidade em qualidade, ampliar o acesso a recursos, fortalecer a autonomia financeira e criar condições para que os negócios liderados por mulheres sejam sustentáveis e competitivos.
Acredito que o futuro do empreendedorismo feminino depende da nossa capacidade de construir ambientes em que as mulheres possam crescer com liberdade, reconhecimento e oportunidades reais. Porque abrir um negócio é uma conquista importante. Fazer com que ele prospere, gere renda e transforme vidas é o avanço que precisamos buscar.
Kátia Arruda é administradora, mestre em Gestão de Pessoas, palestrante, mentora de mulheres, CEO do Clube Mulher Potência e idealizadora do evento Mulher Potência.