A poucos minutos da decisão do basquete masculino sub-18 dos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs), em Brasília, a equipe do Porãbask, de Ponta Porã (MS), viveu um momento de forte emoção. A notícia da morte do ex-jogador Oscar Schmidt abalou atletas e comissão técnica antes da final contra o time de São Paulo.
Dentro de quadra, no entanto, o grupo conseguiu transformar o impacto emocional em desempenho. A equipe sul-mato-grossense venceu por 74 a 63 e conquistou, de forma inédita, o título nacional escolar.
Para o treinador Hugo Costa, de 59 anos, a conquista carrega um significado ainda maior. Ele é o idealizador, em 2004, do projeto social “Meninos do Terrão”, criado em uma quadra improvisada no bairro Jardim Irene. O trabalho começou de forma simples e, ao longo dos anos, ganhou estrutura e se transformou em referência esportiva na região.
Da periferia ao reconhecimento nacional
Em 2007, Oscar Schmidt visitou Ponta Porã para palestras e conheceu o projeto. A partir desse contato, aproximou-se da iniciativa e passou a apoiar a expansão da estrutura esportiva. Segundo o treinador, o ex-jogador ajudou na articulação de recursos que permitiram a compra do terreno e a construção de um ginásio, que posteriormente recebeu seu nome.
Hugo Costa destacou a importância do ex-atleta na trajetória da equipe e lamentou a coincidência entre a conquista e a data da morte do ídolo.
“Foram mais de 20 participações em jogos escolares e sempre chegamos perto. Esta foi a primeira vez que fomos campeões. Que seja uma homenagem a ele”, afirmou.
O treinador também ressaltou o impacto social do projeto ao longo dos anos. De acordo com ele, a iniciativa já contribuiu para a formação de jovens que seguiram diferentes caminhos profissionais, incluindo áreas como educação física e medicina.
Formação além do esporte
Além do desempenho esportivo, o projeto tem como objetivo a formação cidadã. Hugo Costa afirma que o esporte tem sido uma ferramenta de disciplina e educação para os jovens da comunidade.
“O papel do profissional de educação física é educar por meio do esporte, formando crianças responsáveis e disciplinadas”, disse.
Entre os atletas, a conquista teve forte impacto emocional. O estudante Rafael Cardozo, de 17 anos, destacou a importância da mãe, que o cria junto com o irmão mais novo. Logo após o apito final, ele conseguiu compartilhar a vitória com a família.
O jovem, que cursa o terceiro ano do ensino médio, pretende seguir carreira na área de gestão hospitalar, mas afirma que o basquete segue presente em seus planos como prática esportiva e de desenvolvimento pessoal.
Outro destaque da final foi o pivô Samuel Menezes, também de 17 anos, que marcou 30 pontos na partida e terminou como cestinha. Ele pretende cursar educação física e seguir no esporte.
Após a vitória, os jogadores celebraram a conquista no pódio e lembraram do esforço coletivo ao longo da competição. A emoção também foi marcada pela lembrança de Oscar Schmidt, considerado referência para o grupo e para o projeto social que os formou.
“Hoje eu fui o Mão Santa do meu time”, disse Samuel, em referência ao apelido de Oscar Schmidt, após a conquista.
Com a medalha no peito, a equipe encerrou a participação nos JEBs com o título nacional e a sensação de ter transformado uma história construída na periferia em um resultado de alcance nacional.
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