Uma mulher identificada pelas iniciais S.A.J., condenada a 14 anos de prisão em decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, conseguiu asilo político na Venezuela depois de deixar o Brasil em fuga. Antes de atravessar a fronteira, ela rompeu a tornozeleira eletrônica que monitorava seus passos e seguiu até Pacaraima, em Roraima, ponto de passagem para o território venezuelano.
Do outro lado da divisa, em Santa Elena de Uairén, o pedido de refúgio foi analisado e aceito em um intervalo de tempo considerado incomum para esse tipo de processo. Segundo relatos sobre o caso, a rapidez teria sido também um gesto do governo venezuelano em direção ao ex-presidente americano Donald Trump, embora essa motivação não tenha sido oficialmente confirmada. Com o asilo concedido, a diarista passa a ter autorização para residir e trabalhar na Venezuela sem restrições.
Os detalhes do processo que resultou na condenação de 14 anos não foram tornados públicos, o que mantém em aberto pontos relevantes do caso, como a natureza exata da acusação que embasou a sentença de Moraes.
“A mesma fronteira já foi cruzada, em sentido oposto, por milhões de venezuelanos em busca de refúgio no Brasil.”
A travessia chama atenção por seguir caminho oposto ao de um fluxo migratório conhecido nos últimos anos: a mesma fronteira entre Pacaraima e Santa Elena de Uairén foi, por muito tempo, rota de entrada de milhões de venezuelanos que deixavam o país sob o governo de Nicolás Maduro em busca de refúgio no Brasil, fugindo de uma crise humanitária e política prolongada.
O episódio reacende discussões sobre o uso de pedidos de asilo como instrumento em disputas diplomáticas e políticas mais amplas, especialmente diante do histórico recente de deslocamento em massa entre os dois países em sentido inverso.
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