O Auditório Milton Figueiredo, na capital de Mato Grosso, receberá no dia 11 de junho de 2026 a 2ª Semana da Triagem Neonatal e o 3º Encontro Mato-Grossense de Triagem Neonatal. Realizado das 7h30 às 17h30, o evento é fruto de uma cooperação técnica entre a Assembleia Legislativa de Mato Grosso e o Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM).
Com o tema “Cobertura Populacional e Busca Ativa: Desafios Atuais da Triagem Neonatal em Mato Grosso”, a conferência reúne gestores de saúde, médicos pediatras e profissionais da enfermagem.
O objetivo central é debater gargalos logísticos e traçar metas para elevar o percentual de recém-nascidos testados no estado.
Conscientização e expansão do painel de exames
O encontro está alinhado ao calendário da Lei Estadual nº 12.584/2024, que instituiu o período anual de conscientização sobre o tema, coincidindo com o Dia Nacional do Teste do Pezinho e com o marco de 25 anos do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN).
Atualmente, o laboratório de referência da rede pública de Mato Grosso realiza o rastreamento biológico de sete patologias básicas:
- Hipotireoidismo congênito;
- Fenilcetonúria;
- Deficiência de biotinidase;
- Fibrose cística;
- Hiperplasia adrenal congênita;
- Anemia falciforme (e outras hemoglobinopatias);
- Toxoplasmose congênita.
Um dos pontos técnicos em pauta será o planejamento para a expansão gradual do teste na rede estadual. O modelo atual ainda opera abaixo de centros de referência nacionais de saúde, que já aplicam a triagem ampliada com capacidade para identificar entre 50 e 60 tipos de doenças raras e erros inatos do metabolismo.
A importância do diagnóstico na primeira semana de vida
Os protocolos neonatais estabelecem que a coleta de sangue no calcanhar do bebê deve ocorrer, prioritariamente, entre o terceiro e o quinto dia de vida.
A identificação de distúrbios metabólicos ou genéticos nessa janela temporal permite a intervenção terapêutica imediata, antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas clínicos. Essa rapidez é considerada crucial por especialistas para bloquear o avanço de danos celulares, reduzindo drasticamente o risco de sequelas neurológicas irreversíveis, atrasos cognitivos e mortalidade infantil.
Logística e rede de coleta em Mato Grosso
O desafio assistencial do estado envolve uma vasta área geográfica e uma alta taxa de natalidade. Mato Grosso encerrou o último ciclo anual com 757 postos de coleta cadastrados e distribuídos pelas secretarias municipais de saúde.
A estrutura laboratorial absorve uma demanda contínua de exames. Indicadores demográficos consolidados apontam o registro de 57.658 nascidos vivos no último ano, mantendo um patamar histórico estável que supera a marca de 55 mil nascimentos anuais nos últimos cinco anos. As mesas-redondas do encontro focarão em otimizar o sistema de busca ativa para rastrear e localizar famílias de recém-nascidos que perderam o prazo inicial de coleta.
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