A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) ratificou, em reunião ordinária realizada nesta quarta-feira (17), a manutenção de seu cronograma de auditoria e investigação, rechaçando a possibilidade de paralisia dos trabalhos após o adiamento de depoimentos de alto escalão. O colegiado parlamentar, que apura supostas irregularidades e quebras de isonomia em contratos emergenciais firmados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), abrirá uma nova fase de oitivas focada no setor privado.
O presidente da comissão, deputado estadual Wilson Santos (PSD), minimizou os impactos dos desfalques na agenda desta semana, pontuando que a ausência justificada de convocados impõe um reajuste logístico no calendário, mas não compromete o acervo probatório da investigação. O parlamentar assegurou que todos os personagens intimados prestarão esclarecimentos em juízo parlamentar antes do fechamento do relatório final.
Oitivas de empreiteiros e fornecedores têm teto fixado para 17 de julho
O plano tático da comissão prevê que a partir da próxima semana os holofotes se voltem para os proprietários, sócios e representantes legais das empresas detentoras dos contratos sob suspeita de superfaturamento ou dispensa indevida de licitação. A meta estipulada pela Mesa Diretora da CPI é esgotar os depoimentos dos empresários até o dia 17 de julho, abrindo caminho para a fase subsequente, que colherá as versões de gestores e ex-gestores que chefiaram pastas técnicas e ordens de pagamento na SES-MT.
Na sessão desta quarta-feira, dois depoimentos estratégicos precisaram ser postergados: o do procurador-geral do Estado, Francisco Assis Lopes, e o do auditor-geral do SUS na SES-MT, Rozinei Rodrigues Peixoto. Ambas as autoridades protocolaram justificativas técnicas de ausência junto à secretaria da comissão e ganharam novas datas para comparecimento. Os deputados fixaram que o foco central com esses depoentes será sanar contradições latentes detectadas no cruzamento de pareceres jurídicos da PGE com relatórios de auditorias internas do sistema de saúde.
CPI aguarda perícia da Polícia Federal sobre invasão de sistemas de dados
Outro vetor de inteligência que deve robustecer os trabalhos da comissão é uma perícia técnica em andamento conduzida pela Polícia Federal. Os peritos federais rastreiam indícios de invasões cibernéticas e manipulação de credenciais nos sistemas digitais internos da Secretaria de Saúde, episódio que pode ter comprometido a integridade de documentos de empenho e portfólios de auditoria que estão sob o crivo dos deputados.
A reunião deliberativa contou com o quórum dos deputados Wilson Santos (PSD), Dilmar Dal Bosco (União), Beto Dois a Um (Pode), Chico Guarnieri (PSDB) e do presidente do Parlamento, Eduardo Botelho (MDB). O retorno dos trabalhos ficou oficialmente agendado para o dia 24 de junho, às 15h, no Palácio Dante de Oliveira, ocasião em que os primeiros empresários da cadeia de fornecimento médico-hospitalar serão sabatinados em Mato Grosso.
Reportagem baseada em atas de convocação, notas de justificativa jurídica e transmissões oficiais de sessões da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
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