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China acelera a produção de robôs humanoides no ritmo dos EVs, embora eles ainda façam tarefas simples a só 20% da velocidade humana

Xpeng Px5 Robo

A China está despejando recursos em robôs humanoides para repetir a fórmula industrial dos EVs, embora as máquinas ainda estejam longe de substituir trabalhadores em larga escala.

Num centro de treinamento em Liuzhou, mais de 100 humanoides praticam tarefas como separar caixas, embalar macarrão e preparar café sob orientação humana.

A dificuldade permanece elevada: um treinador iniciante pode precisar de 300 tentativas para obter um movimento aproveitável, enquanto profissionais experientes conseguem aproximadamente uma a cada 50.

A UBTech venceu em outubro uma licitação de US$ 18 milhões (R$ 92,9 milhões) do governo regional de Guangxi para fornecer máquinas e equipamentos ao centro.

O objetivo é gerar dados para inteligência artificial incorporada, permitindo que robôs percebam o ambiente, tomem decisões e executem movimentos no mundo físico.

chery robo mornine (1)
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Apesar do investimento, três funcionários afirmam que o projeto subsidiado ainda não possui caminho claro para rentabilidade devido aos custos elevados e baixos preços dos dados.

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Últimas notícias

Tang Wenbin, cofundador e CEO da Yuanli Lingji, resume a limitação dizendo que o “QI dos robôs é muito baixo” para tarefas verdadeiramente generalistas.

Fabricantes chinesas responderam por 95% dos aproximadamente 20.000 humanoides enviados mundialmente no ano passado, segundo levantamento da BofA Global Research.

Gan Xiaobin, integrante do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, afirma que a China espera produzir mais de 100.000 humanoides neste ano.

A BofA projeta 1,2 milhão de unidades anuais globalmente até 2030, apesar das limitações atuais envolvendo destreza, confiabilidade, inteligência e custo.

Os governos chineses compraram pelo menos US$ 230 milhões (R$ 1,2 bilhão) em humanoides e equipamentos no primeiro semestre, contra US$ 62 milhões (R$ 320 milhões) um ano antes.

Na mesma comparação com 2024, as compras públicas haviam sido de apenas US$ 6 milhões (R$ 31 milhões), mostrando a velocidade da expansão financiada pelo Estado.

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A State Grid anunciou em abril planos de investir US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões) em humanoides, robôs de dois braços e cães robóticos.

Segundo informações estatais, cada unidade poderia economizar entre US$ 74.000 (R$ 381.800) e US$ 119.000 (R$ 614.000) anuais em custos de trabalho.

Shenzhen, por sua vez, pretende construir até o próximo ano um polo de US$ 15 bilhões (R$ 77,4 bilhões) reunindo mais de 1.200 empresas.

A China já conta com mais de 150 companhias de humanoides, segundo a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, número superior ao de marcas chinesas de EVs.

Kevin Xu, da Interconnected Capital, afirma que fundadores já classificaram o setor como uma bolha e considera uma consolidação inevitável mais cedo ou mais tarde.

A Lingyi iTech iniciou em maio uma fábrica em Yizhuang com meta inicial de 10.000 robôs anuais, aumentando a capacidade para 500.000 unidades em 2030.

Na Deep Robotics, subsídios representaram aproximadamente 42% do lucro líquido de US$ 4,2 milhões (R$ 21,7 milhões) registrado no ano passado.

A UBTech recebeu no quarto trimestre contratos públicos de pelo menos US$ 123 milhões (R$ 634,7 milhões), acima de sua receita anual de humanoides de US$ 122 milhões (R$ 629,5 milhões).

A empresa entregou 1.079 humanoides de tamanho completo no período, enquanto a Morgan Stanley prevê queda média de 15% nos preços desse tipo de máquina neste ano.

O humanoide Kuavo, da Leju Robotics, ficou 26% mais barato em 2025, chegando a aproximadamente US$ 46.000 (R$ 237.400) por unidade.

Na plataforma Sharebot, a diária de humanoides utilizados em eventos caiu para US$ 440 (R$ 2.270) a US$ 600 (R$ 3.096), ante cerca de US$ 1.500 (R$ 7.700).

Mesmo assim, braços robóticos convencionais continuam superiores em muitas fábricas, e a Xiaomi afirma que 91% da montagem de seus EVs já acontece de forma automatizada.

A fábrica da Xiaomi em Pequim utiliza mais de 700 robôs industriais, enquanto a Geely afirma que braços automatizados e veículos autônomos executam as principais tarefas de montagem.

Humanoides começam a encontrar aplicações específicas, como os modelos da Galbot em farmácias, onde conseguem selecionar produtos em aproximadamente um minuto com taxa de sucesso superior a 95%.

O grande obstáculo continua sendo treinamento: o setor possui cerca de 500.000 horas de dados de alta qualidade, mas estimativas apontam necessidade de 100 milhões de horas.

Na prática, funcionários do centro de Liuzhou afirmam que os humanoides realizam tarefas simples com apenas 20% da velocidade ou produtividade de uma pessoa.

Ainda assim, a aposta chinesa é produzir muitos robôs para gerar dados rapidamente, aceitando desperdícios e empresas inviáveis como parte de uma corrida por liderança tecnológica.

Essa vantagem já aparece internacionalmente, pois no RoboCup realizado na Coreia do Sul em julho quase todas as equipes passaram a utilizar robôs produzidos na China.

Até a Tesla enfrenta essa diferença de custos: Elon Musk mira aproximadamente US$ 20.000 (R$ 103.200) para o Optimus quando houver produção em grande escala.

A Morgan Stanley, porém, estimou anteriormente entre US$ 50.000 (R$ 258.000) e US$ 60.000 (R$ 309.600) apenas em componentes para um Optimus Gen 2 produzido em baixo volume.

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