A política de expansão da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) executada na rede pública de ensino de Mato Grosso foi um dos eixos centrais de debate durante o 3º Seminário da série Diálogos Formativos sobre Gestão da Aprendizagem. O evento de inserção nacional, realizado nos dias 17 e 18 de junho no prestigiado Centro Cultural FGV, no Rio de Janeiro, reuniu secretários de Estado, pesquisadores e organismos internacionais para debater arranjos institucionais capazes de integrar o Ensino Médio regular à qualificação de mão de obra técnica.
A comitiva de Mato Grosso foi liderada pela secretária de Estado de Educação, Flávia Emanuelle Soares. O fórum capitaneado pela Fundação Getulio Vargas focou no redesenho curricular da modalidade, tendo como balizas metodológicas estudos analíticos de eficiência compartilhados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Integração com eixos econômicos municipais pauta expansão da Seduc
Durante as mesas-redondas, Flávia Emanuelle defendeu que a interiorização da educação técnica só atinge eficácia plena se estiver organicamente conectada às vocações econômicas e às cadeias produtivas de cada microrregião. A modelagem adotada pela Seduc-MT prioriza o mapeamento de mercado para que o estudante da rede pública conclua a educação básica já inserido nas frentes de contratação locais, estimulando a equidade social e a fixação do jovem no interior.
Como estratégia de atração e combate à evasão, a secretária apresentou o case da “Expo Estudantil”. O projeto consiste em feiras de imersão de carreiras direcionadas a alunos concluintes do 9º ano do Ensino Fundamental. Antes de migrarem para o Ensino Médio, os jovens têm contato com estandes de grandes empresas, universidades e institutos de tecnologia, recebendo orientação vocacional e subsídios práticos para a escolha de seus itinerários formativos.
Malha de ensino profissionalizante alcança 97 municípios em 2026
O balanço técnico consolidado apresentado pela Seduc para o ano letivo de 2026 demonstra o salto de capilaridade da modalidade de ensino no estado:
- 97 municípios contam com polos de formação técnica ativos;
- 263 unidades escolares dispõem de salas estruturadas para o ensino profissional;
- 45 cursos técnicos compõem a grade curricular de opções de especialização;
- Presença consolidada em todas as 12 Diretorias Regionais de Educação (DREs) e na Diretoria Metropolitana.
O portfólio pedagógico é viabilizado por meio de um ecossistema de cooperação técnica firmado com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci), além do Senai e Senac. As matrizes de aprendizagem cobrem demandas nos setores de agricultura de precisão, automação industrial, tecnologia da informação, sustentabilidade ambiental, comércio e serviços.
Qualificação do corpo docente atua como blindagem contra a evasão
Especialistas e gestores presentes no fórum da FGV chancelaram a tese de que a EPT atua como um dos mecanismos mais potentes para mitigar o abandono escolar e elevar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Para blindar a qualidade pedagógica diante da rápida expansão física das salas de aula, a Seduc detalhou que vinculou o programa ao uso intensivo de indicadores de retenção escolar, monitoramento contínuo de aprendizagem por Big Data e programas permanentes de qualificação e reciclagem do corpo docente em Mato Grosso.
Reportagem informativa baseada em relatórios de expansão da EPT da Seduc-MT, painéis de monitoramento da OCDE e atas temáticas do 3º Seminário Diálogos Formativos da Fundação Getulio Vargas (FGV).
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