O mercado de criadores de conteúdo digital em Mato Grosso é formado majoritariamente por jovens adultos, mulheres e profissionais que utilizam o Instagram como principal ferramenta de trabalho e geração de renda. É o que mostra uma pesquisa inédita realizada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Mato Grosso (Sebrae/MT), que traçou o perfil dos chamados creators, identificando desafios, oportunidades e o estágio de desenvolvimento desse ecossistema no estado.
O levantamento aponta que 70,9% dos criadores de conteúdo têm entre 25 e 34 anos, enquanto as mulheres representam 55,4% dos profissionais entrevistados. O estudo também revela que pouco mais da metade dos creators já possui formalização empresarial, embora a profissionalização completa ainda seja um desafio para grande parte do segmento.
Grande Cuiabá concentra mais de 70% dos criadores
A pesquisa ouviu 214 criadores de conteúdo ativos nas redes sociais e maiores de 18 anos. As entrevistas foram realizadas durante o Sebrae Hacking, considerado o maior evento de inovação de Mato Grosso, realizado em Cuiabá.
Os dados mostram uma forte concentração da atividade na capital mato-grossense. Sozinha, Cuiabá reúne 62,1% dos entrevistados. Quando somada à região metropolitana, a participação chega a mais de 71%.
Já os municípios do interior representam 19,2% dos criadores pesquisados, indicando que o mercado digital começa a expandir sua presença para outras regiões do estado.
Outro dado relevante é que apenas 7,9% dos entrevistados possuem atuação nacional, evidenciando que a maioria dos criadores ainda mantém foco em audiências locais e regionais.
Mercado ainda é jovem e em fase de crescimento
O estudo aponta que o ecossistema de criadores de conteúdo em Mato Grosso ainda está em fase de amadurecimento.
Entre os entrevistados:
- 43,6% atuam há menos de três anos;
- Apenas 7% trabalham no segmento há mais de dez anos.
Em relação ao tamanho da audiência, os chamados nano creators predominam amplamente. Cerca de 69,6% possuem até 10 mil seguidores.
Na outra ponta, apenas 4,7% alcançam públicos superiores a 500 mil seguidores, grupo considerado mais consolidado e profissionalizado no mercado digital.
Formalização ainda é desafio
Embora 51,9% dos entrevistados possuam algum tipo de CNPJ, os dados indicam que a profissionalização efetiva ainda é limitada.
Segundo a pesquisa:
- Apenas 16,8% combinam estrutura empresarial e emissão regular de nota fiscal;
- 44,9% permanecem na informalidade.
Os números sugerem que o desafio do setor não está apenas na abertura de empresas, mas na adoção de práticas administrativas, tributárias e comerciais mais estruturadas.
Segundo o gerente da Regional Metropolitana do Sebrae/MT, Júlio Prior, a pesquisa ajuda a compreender melhor as necessidades desse público.
“O Sebrae atua fortemente no ecossistema de inovação e busca entender os desafios enfrentados pelos criadores de conteúdo para desenvolver ações específicas voltadas a esse segmento, que possui importância crescente para os pequenos negócios e para a economia digital”, destacou.
Instagram lidera audiência e faturamento
A pesquisa confirma o domínio absoluto do Instagram entre os criadores de conteúdo mato-grossenses.
Entre as plataformas utilizadas, os percentuais são:
- Instagram: 91,6%;
- TikTok: 52%;
- Facebook: 22%;
- LinkedIn: 5%;
- Kwai: 3%;
- Outras plataformas: 5%.
O Instagram também lidera quando o assunto é monetização.
Entre os entrevistados que geram receita com conteúdo digital:
- 62,4% utilizam o Instagram como principal fonte de renda;
- 16,4% monetizam pelo TikTok;
- 16,4% utilizam outras plataformas;
- 4,8% recebem receitas pelo YouTube.
O aplicativo da Meta lidera em todas as categorias de audiência e alcança participação ainda maior entre criadores mais consolidados.
Lifestyle lidera entre os nichos; agro aparece entre os menos explorados
Quando o assunto é produção de conteúdo, o segmento lifestyle aparece como o mais popular entre os entrevistados, representando 15% das respostas.
Na sequência aparecem:
- Negócios e empreendedorismo: 14%;
- Outros temas: 14%;
- Entretenimento: 10%;
- Educação: 8%;
- Moda: 7%;
- Gastronomia: 7%;
- Turismo: 6%;
- Fitness e saúde: 6%;
- Beleza: 6%;
- Humor: 5%.
Apesar da força do agronegócio na economia estadual, o nicho agro representa apenas 3% dos criadores entrevistados, sendo um dos segmentos menos explorados atualmente.
Mais da metade ganha até R$ 5 mil por mês
Os dados financeiros mostram que a atividade já gera renda para muitos profissionais, mas ainda enfrenta desafios relacionados à escalabilidade dos ganhos.
Entre os criadores monetizados:
- 55% recebem até R$ 5 mil por mês;
- Apenas 21% superam a faixa de R$ 10 mil mensais.
A principal fonte de receita vem de parcerias comerciais.
As formas mais comuns de monetização são:
- Publicidade com marcas: 51%;
- Publiposts: 36%;
- Receitas das plataformas: 11%.
Especialistas apontam que produtos digitais, mentorias, cursos e assinaturas podem representar oportunidades para ampliar a sustentabilidade financeira do setor.
Falta de oportunidades locais e engajamento são os principais obstáculos
Entre os desafios mais citados pelos criadores de conteúdo estão:
- Falta de oportunidades locais: 39%;
- Baixo engajamento das audiências: 37%;
- Dificuldade de acesso a grandes marcas: 28%;
- Estratégia, posicionamento e diferenciação: 22%.
Segundo a analista técnica do Sebrae/MT, Jaqueline Trentino, os resultados mostram um mercado com grande potencial de crescimento.
“O interior representa uma importante oportunidade de expansão, enquanto a predominância de profissionais com pouco tempo de atuação demonstra que o mercado ainda está em fase de desenvolvimento e consolidação”, avalia.
A pesquisa foi realizada com metodologia quantitativa, margem de erro de 5% e nível de confiança de 95%, oferecendo um panorama inédito sobre o universo dos criadores de conteúdo em Mato Grosso.
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