O Partido dos Trabalhadores (PT) ameaçou romper com o bloco de apoio à reeleição de Hugo Motta, caso o Partido Liberal (PL) seja incluído na aliança. A decisão foi comunicada ao atual presidente da Câmara.
Contexto político e alianças
O PL, que conta com 121 deputados eleitos, está em negociações para se juntar ao bloco de apoio a Hugo Motta, visando aumentar sua participação na distribuição de cargos e no comando das comissões da Câmara a partir de 2027. No entanto, a inclusão do PL no bloco pode rebaixar sua posição na escolha das comissões, passando para a 14ª posição na ordem de escolha.
O PT, junto com a federação formada por PCdoB e PV, já havia anunciado apoio à recondução de Motta, justificando a aliança como uma forma de garantir governabilidade ao próximo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva e barrar o avanço do PL no Congresso.
Resistência e justificativas
A resistência do PT à inclusão do PL no bloco ocorre após a federação de esquerda ter declarado apoio à reeleição de Motta. Pedro Uczai, líder do PT, justificou a composição com o centro como necessária para garantir a governabilidade. Já Jandira Feghali, líder do PCdoB, destacou a importância de impedir o avanço da legenda bolsonarista nas duas Casas do Congresso.
“Nossa responsabilidade é impedir que o PL vença na Câmara e no Senado”
—Jandira Feghali
Implicações para o PL
Para o PL, a inclusão no bloco é estratégica para garantir postos de comando nas comissões, já que, isolado, o partido teria menos opções entre as comissões consideradas prioritárias. A aproximação com Hugo Motta representa uma mudança de postura das lideranças do PL, que anteriormente descartavam apoiar Motta devido ao seu alinhamento com a campanha de reeleição de Lula.
Próximos passos
Hugo Motta ainda não iniciou conversas formais com o PL, mas demonstrou disposição para ouvir as demandas do partido. A decisão sobre a inclusão do PL no bloco e as possíveis consequências para a aliança com o PT serão cruciais para a configuração política da próxima legislatura.