Produtores indígenas de Rondolândia conquistaram cinco premiações no 1º Concurso de Qualidade do Café de Mato Grosso, realizado no sábado (31), em Juína. Os resultados foram divulgados pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT), responsável pela organização do evento em parceria com o Sebrae-MT e apoio técnico da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer).
O destaque ficou para os produtores Miguel Suruí, Rafael Gameb Suruí e Naraykoalab Suruí, integrantes do povo Paiter Suruí. Juntos, eles conquistaram cinco colocações nas categorias Café Fermentado e Excelência Suprema. O desempenho colocou a produção indígena entre os principais destaques da primeira edição da competição estadual.
Além de reconhecer a qualidade dos grãos, o concurso busca ampliar as oportunidades comerciais para os agricultores familiares. A iniciativa reuniu mais de 500 pessoas e contou com expositores de café, queijos, doces e outros produtos da agricultura familiar.
Produtores indígenas conquistam cinco premiações
Miguel Suruí alcançou o primeiro lugar nas categorias Café Fermentado e Excelência Suprema, esta última destinada à seleção do melhor café entre os finalistas das disputas. Nas duas avaliações, ele recebeu 87,67 pontos.
Rafael Gameb Suruí ficou na segunda colocação nas mesmas categorias, com 86,67 pontos. Os dois produtores também representam a Cooperativa de Produção e Desenvolvimento do Povo Indígena Paiter Suruí (Coopaiter).
Já Naraykoalab Suruí conquistou o terceiro lugar na categoria Café Fermentado, com 85,42 pontos. Dessa forma, os produtores de Rondolândia ocuparam as três primeiras posições dessa modalidade.
Durante o evento, Rafael destacou o significado do reconhecimento para quem trabalha diariamente na produção. Segundo o produtor, a premiação permite apresentar ao público o resultado do esforço desenvolvido nas comunidades indígenas.
Assistência técnica elevou produtividade do café
O avanço da cafeicultura indígena em Rondolândia está relacionado ao acompanhamento técnico oferecido pela Empaer. O extensionista Hayath Alves acompanha os produtores do município desde 2020 e atribui parte dos resultados à adoção de novas práticas agrícolas.
Entre as mudanças implementadas estão o uso de adubação, sistemas de irrigação e técnicas de manejo sustentável. Também houve incentivo à utilização de produtos biológicos, com o objetivo de reduzir a dependência de insumos químicos nas lavouras.
Segundo os dados apresentados pelo extensionista, a produtividade inicial ficava entre 30 e 40 sacas por hectare. Atualmente, alguns produtores já ultrapassam 100 sacas por hectare, resultado que representa um avanço expressivo em relação ao início do acompanhamento.
O aumento da produtividade, porém, não é o único indicador de evolução. O trabalho também busca melhorar a qualidade dos grãos, aperfeiçoar o processamento e ampliar o valor comercial do produto.
A assistência técnica individualizada permite identificar necessidades de cada propriedade e orientar decisões sobre o cultivo. Na prática, esse acompanhamento pode contribuir para reduzir perdas, melhorar o aproveitamento da lavoura e ampliar a renda das famílias produtoras.
O que torna o Robusta Amazônico competitivo?
O café produzido na região integra o grupo conhecido como Robustas Amazônicos, associado à espécie Coffea canephora. Essa produção reúne características agrícolas e ambientais da região amazônica e vem recebendo atenção de instituições de pesquisa e do setor produtivo.
Estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontam que a qualidade do café depende de diferentes etapas, desde a escolha do material genético até a colheita, fermentação, secagem e armazenamento.
Em publicação técnica de 2026, pesquisadores da Embrapa e da Empaer avaliaram 50 clones de café Robusta em condições de cultivo de Mato Grosso, considerando três safras, entre 2023 e 2025. A pesquisa analisou aspectos como produtividade, qualidade da bebida, ciclo de maturação e rendimento dos grãos.
O estudo reforça a importância da pesquisa e da assistência técnica para selecionar variedades adaptadas às condições locais. Esse conhecimento também ajuda a orientar investimentos e práticas agrícolas voltadas à produção de cafés com maior valor agregado.
Outro aspecto importante é o processamento. Pesquisa publicada em 2024 por especialistas vinculados à Embrapa analisou os efeitos da fermentação e das condições de armazenamento sobre a conservação do Robusta Amazônico. O trabalho destaca que os métodos de processamento podem influenciar os aromas e sabores da bebida.
Esse contexto ajuda a compreender a importância da premiação conquistada em Rondolândia. A produção indígena não se destaca apenas pelo volume colhido, mas também pela capacidade de alcançar resultados em avaliações de qualidade e processamento.
Concurso reuniu produtores de 16 municípios
A primeira edição do Concurso de Qualidade do Café de Mato Grosso recebeu inscrições de produtores de 16 municípios. De acordo com os dados divulgados pela Seaf-MT, o estado possui atualmente 29 municípios produtores e mais de 400 famílias envolvidas na atividade.
A programação começou em junho, em Colniza, município apontado pelo Governo do Estado como o maior produtor de café. O encerramento ocorreu em Juína, cidade onde a cafeicultura teve papel importante na economia local entre o final da década de 1980 e os anos 1990.
A escolha dos dois municípios também evidenciou a intenção de valorizar regiões com tradição na atividade e estimular a participação de novos produtores.
Para a secretária estadual de Agricultura Familiar, Andreia Fujioka, a iniciativa pretende fortalecer a produção, incentivar práticas sustentáveis e abrir novos mercados. O objetivo, segundo ela, é ampliar a renda das famílias que dependem da atividade rural.
O prefeito de Colniza, Milton Amorim, também incentivou a participação de mais agricultores nas próximas edições. Já o prefeito de Juína, Paulo Veronese, destacou a retomada da cafeicultura como parte da história econômica do município.
Confira os vencedores do concurso de café
Os resultados oficiais divulgados pela organização apresentam os primeiros colocados em quatro categorias. Confira a relação completa das premiações:
Categoria Café Fermentado
- 1º lugar: Miguel Suruí, de Rondolândia – 87,67 pontos;
- 2º lugar: Rafael Gameb Suruí, de Rondolândia – 86,67 pontos;
- 3º lugar: Naraykoalab Suruí, de Rondolândia – 85,42 pontos.
Categoria Café Natural por Clone
- 1º lugar: Cícero Leandro da Silva, de Juara – 86,50 pontos;
- 2º lugar: Kleberson Moises Arce, de Aripuanã – 83,83 pontos;
- 3º lugar: Josimar Bredel, de Colniza – 83,58 pontos.
Categoria Café Natural Blend
- 1º lugar: Avelino Tiago da Silva, de Paranaíta – 86,17 pontos;
- 2º lugar: José Sergio Filho, de Alta Floresta – 84,33 pontos;
- 3º lugar: Ivaldo Gomes de Araújo, de Aripuanã – 83,25 pontos.
Categoria Excelência Suprema
- 1º lugar: Miguel Suruí, de Rondolândia – 87,67 pontos;
- 2º lugar: Rafael Gameb Suruí, de Rondolândia – 86,67 pontos;
- 3º lugar: Cícero Leandro da Silva, de Juara – 86,50 pontos.
Reconhecimento pode ampliar oportunidades para comunidades indígenas
As cinco premiações conquistadas pelos produtores de Rondolândia mostram o avanço de uma atividade que combina conhecimento tradicional, organização comunitária e acesso à tecnologia agrícola.
O reconhecimento em uma competição estadual também pode contribuir para aproximar os produtores de cooperativas, compradores e novos mercados. Para isso, a continuidade da assistência técnica, o controle da qualidade e a estruturação da comercialização serão fatores importantes.
O resultado abre espaço para que a produção das comunidades indígenas conquiste maior visibilidade no mercado de cafés especiais. Produtores interessados em participar das próximas edições podem acompanhar os comunicados da Secretaria de Agricultura Familiar e das instituições parceiras para conhecer os critérios e os prazos de inscrição.
Reportagem baseada em informações oficiais da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT), da Empaer e em publicações técnicas da Embrapa sobre o café Robusta Amazônico. Os dados de produtividade e as declarações dos participantes foram atribuídos às fontes responsáveis pela divulgação.
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