O estado de Mato Grosso encerrou o ciclo agrícola 2025/26 com uma retração de 6,92% na colheita total de algodão em caroço, que somou 6,81 milhões de toneladas. O resultado foi divulgado nesta segunda-feira (5) por meio do relatório de Oferta e Demanda do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Produtividade histórica por hectare
Apesar do volume menor na colheita geral, os agricultores mato-grossenses comemoram um rendimento histórico de 330,25 arrobas por hectare. O desempenho excepcional foi impulsionado pelo regime de chuvas favorável durante o desenvolvimento das lavouras ao longo da temporada.
Contudo, o avanço expressivo no rendimento agrícola não foi suficiente para neutralizar a diminuição de 11,18% na extensão de terra destinada ao plantio, que recuou para 1,37 milhão de hectares no estado.
“Com a finalização da colheita aqui em Mato Grosso e o avanço do beneficiamento, foi possível mensurar com maior precisão a real produtividade do ciclo 25/26. Diante disso, agora em outubro de 2026, o Imea consolidou a produtividade do algodão em caroço em 330,25 arrobas por hectare, um aumento de cerca de 4,80% em relação ao último recorde, registrado na safra passada 24/25”, explica a analista de algodão do Imea, Cíntia Teixeira.
Comportamento da demanda e estoques
No setor de consumo, a demanda total pela pluma na temporada 2025/26 foi calculada em 2,73 milhões de toneladas, o que representa um leve recuo de 0,17% em comparação ao ciclo anterior. O cenário estagnado reflete a expansão da cultura em outras regiões do país, diminuindo a dependência do mercado interestadual em relação ao produto mato-grossense.
Os estoques de encerramento somaram 916,24 mil toneladas. Desse montante, quase 893,35 mil toneladas já possuem negociações fechadas, restando apenas a efetivação dos embarques para o próximo período comercial.
Perspectivas para a próxima safra
Para o ciclo 2026/27, o instituto aponta uma expectativa de expansão de 3,84% na área cultivada, alcançando cerca de 1,43 milhão de hectares. A valorização da pluma no mercado estimula novos investimentos por parte dos produtores rurais.
“O andamento da safra de soja, em conjunto com o clima no período da semeadura do algodão, bem como os patamares de preços nesse período, será fundamental para a decisão final do produtor”, ressalta a analista Cíntia Teixeira.
Por outro lado, o rendimento médio por hectare deverá sofrer uma retração de aproximadamente 6%, ficando em 310 arrobas devido aos possíveis reflexos climáticos do fenômeno El Niño. Com esses indicativos, a colheita de algodão em caroço está projetada em 6,65 milhões de toneladas, assegurando a terceira maior marca histórica do estado.