Depois de seis anos consecutivos de alta, o preço dos carros 0 km começou a recuar no Brasil em 2026. Um levantamento da Bright Consulting mostra que o preço público médio deflacionado dos veículos leves caiu de R$ 172,5 mil em 2025 para R$ 170 mil em junho deste ano, uma redução real de 1,5%.
Esse resultado é ainda mais evidente quando analisado o valor efetivamente pago pelo consumidor nas concessionárias, que recuou 3,5% no período, passando de R$ 157,7 mil para R$ 152,1 mil.
Os dados indicam uma mudança no comportamento do mercado após o ciclo de aumentos iniciado durante a pandemia, quando a escassez global de semicondutores limitou a oferta de veículos e permitiu sucessivos reajustes acima da inflação. Com a normalização da produção e um ambiente mais competitivo, os descontos passaram a ganhar peso no mercado, reduzindo a diferença entre o preço anunciado e o valor final da compra.
M1 nas lojas: Hyundai I20 1.0 MPI Comfort MT 2027
Foto de: Thomas Tironi
Concorrência maior pressiona os preços
Segundo a Bright Consulting, o principal fator por trás da queda nos preços é o aumento da concorrência, especialmente com a expansão das montadoras chinesas no Brasil. Nos últimos anos, marcas como BYD, GWM, Geely, GAC, Omoda & Jaecoo e Caoa Chery ampliaram rapidamente seus portfólios, trazendo modelos com elevado nível de tecnologia e política de preços mais agressiva.
De acordo com Cássio Pagliarini, CMO da Bright Consulting, a entrada desses novos fabricantes alterou o equilíbrio competitivo do mercado. Em vez de disputar espaço apenas pelo preço, os novos modelos passaram a oferecer um pacote de equipamentos superior por valores equivalentes — ou até inferiores — aos praticados pelas marcas tradicionais.
| 2020 | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 | 2026 | |
| Preço médio Público | R$ 131.083 | R$ 153.422 | R$ 163.968 | R$ 168.624 | R$ 171.683 | R$ 172.538 | R$ 169.984 |
| Variação Preço Público | 8,8% | 17,0% | 6,9% | 2,8% | 1,8% | 0,5% | -1,5% |
| Preço médio de Transação | R$ 118.715 | R$ 142.753 | R$ 154.205 | R$ 155.565 | R$ 157.507 | R$ 157.672 | R$ 152.148 |
| Variação Preço de Transação | 11,8% | 20,2% | 8,0% | 0,9% | 1,2% | 0,1% | -3,5% |
Essa movimentação toda elevou o padrão de conteúdo disponível em diferentes segmentos. Recursos como sistemas avançados de assistência à condução (ADAS), grandes centrais multimídia, conectividade, inteligência artificial embarcada, bancos com ajustes elétricos, câmeras 360°, carregador de celular por indução e teto panorâmico passaram a aparecer com maior frequência em veículos de volume, pressionando concorrentes a responderem com mais equipamentos ou preços menores.

M1 nas lojas: Chevrolet Spin 1.8 Premier 2027
Foto de: Thiago Moreno
Consumidor paga menos do que a tabela
Outro dado destacado pela consultoria é o aumento da diferença entre o preço público e o valor efetivamente pago nas concessionárias. Enquanto o preço de tabela recuou 1,5% em termos reais, o preço médio de transação caiu 3,5%, indicando que as montadoras vêm ampliando campanhas promocionais, bônus e descontos para manter a competitividade.
Na avaliação da Bright Consulting, esse comportamento reflete um mercado mais disputado, em que fabricantes consolidados passaram a reduzir margens e acelerar atualizações de produtos para enfrentar o crescimento das novas marcas.

M1 nas lojas: CAOA Chery Tiggo 8 1.6 Turbo 2027
Foto de: Thiago Moreno
Chinesas ganham espaço entre os carros mais vendidos
O avanço das fabricantes chinesas também aparece nas vendas. No primeiro semestre de 2026, sete dos dez carros elétricos mais vendidos do País pertencem a marcas chinesas. Entre elas estão BYD, GWM e Geely, enquanto no segmento de híbridos também se destacam BYD, GWM e Omoda & Jaecoo.
O desempenho já ultrapassa os nichos de eletrificados. O BYD Dolphin Mini figurou entre os dez carros mais vendidos do mercado brasileiro no acumulado do primeiro semestre, enquanto modelos como BYD Song, GWM Haval H6, BYD Dolphin, Caoa Chery Tiggo 5x, Geely EX2, Caoa Chery Tiggo 7, Omoda 5 e BYD King também passaram a aparecer entre os veículos mais emplacados do País.

Tendência é de maior pressão competitiva
A Bright Consulting avalia que o ambiente competitivo deverá permanecer intenso nos próximos meses. A expansão da produção local de novas fabricantes, o aumento das importações e a chegada de novos modelos tendem a ampliar a disputa por mercado, favorecendo campanhas comerciais mais agressivas e pressionando os preços.
Embora a redução observada até agora ainda seja modesta diante da forte valorização acumulada desde 2020, o estudo indica uma inversão importante no mercado brasileiro. Em um cenário de maior oferta e concorrência, a tendência é que o consumidor encontre veículos com mais tecnologia e melhores condições comerciais, enquanto as montadoras buscam preservar participação.
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