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Polícia Civil deflagra 2ª fase da Operação Scutum Innocentia contra abuso de menores em Comodoro

A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (22), em Comodoro, a segunda fase da Operação Scutum Innocentia, com o cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão contra suspeitos de integrar uma rede de aliciamento e abuso sexual de menores de 14 anos. Segundo a corporação, a investigação identificou contatos com vítimas por meio de redes sociais, pedidos de imagens íntimas e convites para encontros de natureza sexual. As diligências ocorreram na zona rural do município.

As equipes da Delegacia de Comodoro buscam recolher celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos que possam contribuir para esclarecer os fatos e identificar a participação individual dos investigados. As medidas foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cáceres, que também permitiu a extração integral dos dados dos aparelhos apreendidos.

A investigação começou em agosto de 2025, depois que a Polícia Civil recebeu informações sobre possíveis abusos sexuais contra menores de 14 anos. A análise de dispositivos eletrônicos permitiu encontrar milhares de mensagens trocadas em plataformas digitais, segundo os dados divulgados pela instituição.

Investigação identificou abordagens pelas redes sociais

Conforme a apuração policial, os suspeitos, todos homens adultos, utilizavam perfis em redes sociais para se aproximar das vítimas. Os contatos frequentes teriam evoluído para conversas de conteúdo sexual explícito, solicitações de fotografias íntimas e áudios, envio de imagens impróprias e convites para encontros.

A investigação também identificou o uso de perfis alternativos, números de telefone e contas de e-mail registrados em nome de terceiros. Mensagens teriam sido apagadas após os contatos com as vítimas. Para os investigadores, essas circunstâncias podem indicar tentativas de dificultar a identificação dos usuários e eliminar registros das conversas.

Outro ponto sob investigação é a titularidade de um dos perfis utilizados nas abordagens. Durante os depoimentos, pessoas diferentes foram apontadas como responsáveis pela conta. A identificação de quem efetivamente utilizava esse perfil está entre os objetivos da nova fase da operação.

Segunda fase amplia lista de investigados

A primeira etapa da Operação Scutum Innocentia ocorreu em outubro de 2025, quando foram cumpridos mandados de busca contra cinco investigados. Na ocasião, segundo a Polícia Civil, eles admitiram, em diferentes graus, ter conversado com as adolescentes pelas redes sociais.

Parte dos investigados reconheceu ter solicitado fotografias íntimas ou áudios das vítimas. Um deles também admitiu ter enviado uma imagem própria com partes do corpo expostas, conforme as informações divulgadas pela corporação.

O avanço da análise dos dados e das demais diligências levou à identificação de novos suspeitos. Até esta segunda fase, ao menos 10 pessoas haviam sido identificadas como possíveis envolvidas na rede. A Polícia Civil continua trabalhando para esclarecer a participação de cada uma e verificar se há outros envolvidos.

Quais crimes podem ser investigados

De acordo com a Polícia Civil, os investigados poderão responder, conforme as condutas atribuídas a cada um, por estupro de vulnerável e aliciamento de criança ou adolescente por meio de comunicação para a prática de ato libidinoso. Outros crimes previstos na legislação de proteção à infância e à adolescência também poderão ser considerados após a análise pericial dos dispositivos apreendidos.

O enquadramento jurídico depende das circunstâncias de cada caso e das provas reunidas durante a investigação. A apreensão de aparelhos eletrônicos permite examinar mensagens, arquivos e outros registros digitais que podem ajudar a reconstruir os contatos, verificar a identidade dos usuários e esclarecer a extensão das condutas apuradas.

O artigo 217-A do Código Penal trata do estupro de vulnerável, que inclui a prática de conjunção carnal ou outro ato libidinoso com pessoa menor de 14 anos. Já o artigo 241-D do Estatuto da Criança e do Adolescente prevê o crime de aliciar, assediar, instigar ou constranger criança, por qualquer meio de comunicação, com o fim de praticar ato libidinoso. A aplicação desses dispositivos depende da análise dos fatos e dos requisitos legais de cada infração.

Polícia orienta pais e responsáveis

O delegado titular de Comodoro, Mateus Almeida Oliveira Reiners, destacou a importância da proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Ele orientou pais e responsáveis a acompanhar o uso de celulares e redes sociais pelos filhos e a observar possíveis aproximações de pessoas com intenções criminosas.

A prevenção também envolve conversar com crianças e adolescentes sobre abordagens suspeitas, pedidos de imagens íntimas e convites para encontros feitos por pessoas conhecidas apenas pela internet. Diante de uma situação preocupante, responsáveis devem preservar mensagens e outros registros disponíveis e procurar as autoridades, evitando expor publicamente a identidade das vítimas.

O caso segue em investigação, e as informações divulgadas até o momento não representam uma condenação dos suspeitos. A apuração deverá esclarecer a identidade dos usuários dos perfis, a participação individual dos investigados e a eventual existência de outras vítimas ou envolvidos.

Familiares e responsáveis que identificarem possíveis situações de aliciamento ou abuso podem procurar a Polícia Civil ou os canais oficiais de proteção à criança e ao adolescente para comunicar os fatos. A denúncia deve ser feita com cuidado para preservar a segurança e a privacidade das vítimas.

Reportagem baseada em informações divulgadas pela Polícia Civil de Mato Grosso, responsável pela investigação da Operação Scutum Innocentia.

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