O Tourbillon inaugurou uma nova fase na história da Bugatti com um inédito conjunto híbrido V16 aspirado desenvolvido pela Cosworth e pela Rimac. Parecia que o lendário W16 da marca, lançado em 2005, seria rapidamente aposentado. Mas que nada… A fabricante acaba de revelar o Destrier, terceira criação do programa de carros exclusivos Solitaire. O exemplar único preserva o quadriturbo de 8 litros e 1.600 cv em um projeto que privilegia a beleza acima do desempenho absoluto.
O Destrier (pronúncia em francês: “destrriê”) parte de uma premissa puramente estética: imaginar como seria o hipercarro de pista Bolide (2024-2025) se seus engenheiros deixassem de perseguir a máxima eficiência aerodinâmica. O resultado elimina asas gigantes, enormes tomadas de ar e outros apêndices para revelar uma carroceria limpa, elegante e escultural.
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Fonte: Bugatti
Embora compartilhe o monocoque de fibra de carbono e praticamente todo o conjunto mecânico do Bolide, o Destrier tem uma personalidade bem distinta. A carroceria é mais longa, mais baixa e mais fluida, com superfícies contínuas que ligam dianteira e traseira sem as interrupções impostas pelos elementos aerodinâmicos do carro de pista.
Com apenas um metro de altura, é simplesmente o Bugatti mais baixo já produzido. A impressão é reforçada pelas rodas de 20″ na dianteira e 21″ na traseira, maiores que as de 18″ do Bolide.

Foto de: Bugatti
A tradicional linha lateral em forma de C, criada por Jean Bugatti nos anos 1930, foi mais uma vez redesenhada. Passa pelo meio das portas, contorna os arcos dos para-lamas dianteiros e vai de encontro à grade em formato de ferradura, agora mais larga.
Na traseira, há um aerofólio integrado à carroceria no lugar da enorme asa fixa do Bolide. O Destrier traz ainda um difusor mais discreto e quatro saídas de escape centralizadas, herdadas do hipercarro de pista.

Foto de: Bugatti
As linhas foram criadas pelo departamento de design da própria Bugatti. O estúdio, localizado em Berlim, é dirigido desde 2023 pelo alemão Frank Heyl.

Bugatti Type 57C Tank, vencedor de Le Mans 1939
Foto de: Bugatti
Uma base, várias personalidades
A inspiração para criar tantos carros especiais a partir de uma mesma base vem do Bugatti Type 57 (1934-1940), que deu origem a automóveis completamente diferentes entre si. Sobre a mesma arquitetura nasceram tanto os Type 57 “Tank”, vencedores das 24 Horas de Le Mans em 1937 e 1939, quanto o extraordinário cupê de luxo Type 57SC Atlantic, um dos automóveis mais belos já construídos.
O Bolide e o Destrier repetem esse conceito. Enquanto o primeiro representa a máxima eficiência em pista, o segundo utiliza exatamente a mesma base técnica para explorar beleza, elegância e proporções.
“O Bolide tem as proporções mais extremas que já criamos e, ao libertá-las da busca incansável por downforce, deixamos que se transformassem em pura escultura no Destrier”, explica Heyl.

Foto de: Bugatti
O corcel da Bugatti
O nome Destrier reforça essa filosofia. Na Idade Média, esse era o termo usado para designar os cavalos de guerra mais valiosos utilizados pelos cavaleiros nos combates: animais raros, fortes e caros, reservados à elite militar. Em bom português, um corcel…
A inspiração hípico-medieval continua em diversos detalhes. Componentes metálicos recebem acabamento martelado, remetendo às antigas armaduras. Elementos do compartimento do motor combinam alumínio polido com fibra de carbono aparente.
Em vez do ambiente espartano do Bolide, temos uma cabine revestida com muito couro, camurça e tecidos nobres, tudo em tons de marrom caramelo. Pequenos detalhes reforçam a exclusividade do projeto, como componentes metálicos com acabamento artesanal, costuras específicas e uma discreta bandeira francesa no console.
A pintura adota um tom exclusivo, chamado Sapphire Celeste: um azul escuro com partículas que produzem um brilho semelhante ao de diamantes sob diferentes incidências de luz.

Foto de: Bugatti
W16 se recusa a sair de cena
Mas voltemos ao motor citado no início da matéria. Equipado com quatro turbocompressores, o conhecido W16 de 8 litros foi concebido ainda no fim dos anos 1990 pelo genial engenheiro Ferdinand Piëch, então presidente do Grupo Volkswagen.
Trata-se da última evolução do motor lançado no Veyron em 2005 e que, durante mais de duas décadas, foi a marca registrada da Bugatti. No Destrier, suas especificações técnicas são as mesmas do Bolide, com potência de 1.600 cv e torque máximo de 1.600 Nm (163 kgfm).
A Bugatti não divulgou os números de desempenho. Mas, como se espera que o Destrier mantenha um peso a seco próximo dos 1.450 kg do Bolide, é provável que ofereça aceleração e velocidade máxima à altura das criações mais radicais da marca francesa.

Bugatti Brouillard, primeiro carro do programa Solitaire
Foto de: Bugatti
Os três solitários
Lançado oficialmente em agosto de 2025, o Programme Solitaire é a divisão mais exclusiva da Bugatti dedicada à criação de automóveis únicos, posicionada acima até mesmo do programa Sur Mesure (“sob medida”) de personalização. A proposta é produzir no máximo dois carros one-off por ano, sempre utilizando chassis e conjuntos mecânicos já existentes da marca, mas com carroceria, interior e identidade próprios. Todos os três automóveis criados até agora utilizam o motor W16 de 1.600 cv.
O primeiro exemplar foi o Brouillard, revelado no lançamento do programa e apresentado ao público durante a Monterey Car Week de 2025, na Califórnia. Batizado em referência ao cavalo favorito do “Patron” Ettore Bugatti, tem como base o superesportivo Chiron. O carro pertence ao multimilionário holandês Michel Perridon, maior colecionador particular de Bugatti do mundo.

Bugatti FKP Hommage, segundo carro do programa Solitaire
Foto de: Bugatti
Em janeiro de 2026 foi a vez do F.K.P. Hommage, também criado sobre a base do Chiron, mas para homenagear Ferdinand Karl Piëch (1937-2019) e o Bugatti Veyron original, de 2005. Agora, a Bugatti amplia essa linhagem com o Destrier. Sua primeira aparição pública será durante a Monterey Car Week, com direito a apresentação no famoso Pebble Beach Concours d’Elegance, em 16 de agosto.
Hoje controlada pela croata Rimac, a Bugatti não revelou o cliente responsável pela encomenda nem o preço do Destrier. Com base nos outros carros do programa Solitaire, pode-se estimar um valor entre € 20 milhões e € 25 milhões.
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