A busca da Nissan por fábricas mais eficientes ganhou um novo elemento no Tennessee, onde robôs autônomos começam a assumir parte da movimentação interna de componentes.
A fábrica de Smyrna está concluindo a primeira de seis etapas de implantação dos chamados AMRs, equipamentos móveis guiados por inteligência artificial e diferentes sensores.
O projeto é considerado por Tim Slate, diretor das áreas de carroceria e estampagem, a maior iniciativa de redução de custos da unidade neste ano.
Smyrna produz atualmente Rogue, Pathfinder, Murano e Infiniti QX60, além de estar preparada para receber outros veículos ao longo do próximo ano.
Os novos equipamentos são fabricados pela OTTO, empresa pertencente à Rockwell Automation, e também aparecem em instalações industriais de Ford, GE, Hershey e Caterpillar.

Diferentemente de carrinhos automatizados guiados por faixas magnéticas, esses robôs usam lidar, câmeras e outros sensores para circular entre pessoas e obstáculos.
O maior modelo da OTTO transporta aproximadamente 1.900 kg e consegue se deslocar a cerca de 7,2 km/h dentro das áreas produtivas.
Na área de carroceria, operadores de empilhadeiras ainda levam estruturas carregadas de peças dos caminhões até pontos específicos onde entram os equipamentos autônomos.
Cada AMR passa sob a estrutura, eleva sua plataforma cerca de 6,4 cm e leva os componentes até funcionários que abastecem células robotizadas.
A lógica é permitir que técnicos dediquem mais tempo diretamente à produção dos veículos, segundo JS Bolton, diretor sênior de manufatura da Nissan em Smyrna.

Os robôs também se comunicam com os equipamentos da fábrica e conseguem ajustar entregas automaticamente conforme mudanças ocorridas durante o processo produtivo.
Caso uma célula robotizada interrompa suas atividades, por exemplo, o AMR reconhece que aquele ponto temporariamente não necessita de uma nova entrega de componentes.
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Se um equipamento atrasar uma determinada missão, outro robô pode assumir a tarefa, criando uma operação capaz de redistribuir atividades sem depender inteiramente de intervenção humana.
A implantação, contudo, exigiu ajustes depois que o sistema chegou a enviar dois equipamentos simultaneamente para o mesmo ponto, formando um congestionamento interno inesperado.
Equipes da Nissan trabalharam junto aos fornecedores de software para corrigir a programação, enquanto a integração com os sistemas produtivos permaneceu como principal dificuldade técnica.
Funcionários da Powerhouse Controls, responsável pela integração da automação, trabalham continuamente na unidade, em alguns períodos durante sete dias por semana, acompanhando a implantação.
Empilhadeiras convencionais continuam disponíveis para transportar peças sempre que o sistema automatizado apresenta algum problema, já que a fábrica não pode interromper sua produção.
Ao final das seis etapas, os AMRs assumirão funções atualmente executadas por 64 operadores de empilhadeiras e veículos internos de movimentação de materiais.
Esses funcionários permanecerão na Nissan, embora suas funções atuais desapareçam, podendo concorrer a outras vagas disponíveis dentro da própria fábrica de Smyrna.
Parte deles poderá receber treinamento para trabalhar diretamente com robôs industriais e outros equipamentos, além de disputar postos ligados mais diretamente à montagem dos veículos.
A Nissan afirma que não contratará novos funcionários para repor essas posições de movimentação, utilizando a automação para reduzir o custo total de mão de obra.
A reação inicial entre trabalhadores foi dividida, embora alguns posteriormente tenham aceitado mudanças para outras áreas com possibilidade de desenvolvimento profissional e salários maiores.
A transformação ocorre durante a recuperação comercial da Nissan, cujas vendas no primeiro semestre avançaram 9,6% após uma queda de 6,5% no ano anterior.
Agora, a empresa estuda levar AMRs ou empilhadeiras automatizadas para a estampagem e também considera projetos na montagem geral a partir de 2027.
Para a Nissan, tornar Smyrna mais competitiva em custos pode ajudar a fábrica americana a disputar novos projetos de produção dentro da estratégia global da companhia.
