A Nissan decidiu abandonar um projeto bancário nos Estados Unidos justamente quando tenta preservar caixa e reconstruir suas finanças após anos de resultados pressionados.
A fabricante pretendia criar o Nissan Bank U.S. em Utah, estrutura que permitiria à financeira própria acessar recursos mais baratos e beneficiar concessionários americanos.
Duas pessoas familiarizadas com o assunto disseram à Automotive News que o projeto foi cancelado enquanto a empresa busca melhorias mais duradouras em sua rentabilidade.
A Nissan Americas iniciou no ano passado um programa de contenção destinado a reduzir os gastos anuais em quase US$ 2 bilhões (R$ 10,3 bilhões).
Segundo uma das fontes, cortes pontuais já não eram considerados suficientes, levando a administração a procurar medidas capazes de fortalecer os resultados de maneira permanente.

O banco ficaria sediado em Salt Lake City e operaria sob a Nissan Motor Acceptance Co., conhecida como NMAC, braço financeiro da fabricante nos Estados Unidos.
O principal benefício viria da possibilidade de receber depósitos, algo que permitiria captar dinheiro a custos inferiores aos atualmente disponíveis para a NMAC.
Esses recursos poderiam então financiar empréstimos comerciais aos concessionários, inclusive operações imobiliárias e de capital, com condições potencialmente mais competitivas para a rede.
O plano previa que a nova instituição administrasse pouco mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões) em ativos após entrar em funcionamento.
A Nissan confirmou que retirou seu pedido para criar o banco depois de avaliar o alcance da iniciativa, o cronograma necessário e as exigências envolvidas.

A companhia, porém, não revelou quanto pretendia investir inicialmente, um ponto importante porque a entrada nesse segmento exige volumes elevados de capital próprio.
Scott Smith, vice-presidente do Nissan National Dealer Advisory Board, havia defendido anteriormente que uma instituição própria fortaleceria a NMAC e reduziria custos de financiamento.
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Smith, que administra três concessionárias nos arredores de Atlanta, destacou especialmente a possibilidade de juros menores em crédito imobiliário comercial e empréstimos de capital.
Experiências recentes de concorrentes ajudam a dimensionar quanto a Nissan poderia precisar comprometer para transformar o projeto em uma instituição financeira efetivamente operacional.
A Stellantis Bank USA precisou apresentar pelo menos US$ 150 milhões (R$ 773 milhões) em capital inicial para atender às condições estabelecidas nos Estados Unidos.
Já a GM Financial Bank teve exigência próxima de US$ 667 milhões (R$ 3,4 bilhões), mostrando como o custo pode crescer conforme estrutura e escala.
O Ford Credit Bank recebeu condições que poderiam exigir até US$ 1,5 bilhão (R$ 7,7 bilhões), valor significativo mesmo para um grande grupo automotivo.
Além da entrada elevada, reguladores normalmente exigem dessas instituições proporções de capital de alta qualidade superiores às aplicadas a bancos tradicionais de perfil convencional.
A controladora também precisa permanecer preparada para sustentar continuamente capital e liquidez da instituição, criando compromissos financeiros que não terminam após sua abertura.
Esse conjunto de exigências ajuda a explicar por que o Nissan Bank U.S. perdeu prioridade durante uma fase em que a fabricante tenta recuperar seu balanço.
O projeto poderia oferecer vantagens comerciais aos concessionários, mas também exigiria novos recursos justamente quando a companhia procura reduzir despesas e melhorar sua saúde financeira estrutural.
Ao desistir do banco, a Nissan abre mão de uma possível fonte própria de capital barato, mas evita assumir agora um compromisso bilionário e permanente nos Estados Unidos.
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