O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) afirmou, nesta quarta-feira (7), que a morte de sua filha, Raquel Cattani, não teve relação com a condição de gênero dela. Durante sessão na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o parlamentar argumentou que o crime foi motivado pela recusa do ex-marido em aceitar o término da união.
H2: Defesa da posição e críticas à tipificação
A declaração ocorreu enquanto o político defendia o posicionamento da deputada estadual eleita por São Paulo Eduarda Campopiano (PL), que contesta a forma como os homicídios de mulheres são enquadrados na legislação. Para a correligionária, tais ocorrências estariam ligadas a sentimentos de posse e relações passionais. Cattani declarou concordar com parte do argumento e utilizou o assassinato da própria filha como exemplo.
“A minha filha não foi assassinada por ser mulher. Ela foi assassinada pelo relacionamento que ela tinha com uma pessoa totalmente desequilibrada, que tirou a vida dela porque não aceitava o fim do relacionamento. Foi isso que a Eduarda Campopiano falou”, declarou.
O parlamentar pontuou que o homicídio dentro de casa e a autoria do ex-cônjuge poderiam entrar como agravantes, mas ponderou sobre a classificação jurídica.
“Ela não foi morta por ser mulher. Se o feminicídio, se ser feminicídio diz que você é morta por ser o que você é, isso realmente está errado. Agora, como um agravante por ela ter sido morta dentro de casa, ou como um agravante por ela ter sido morta pelo seu ex-marido, essas coisas aí, tudo bem”, afirmou.
H3: Relembre o caso e a investigação policial
Raquel Cattani foi achada sem vida em julho de 2024, em um dos cômodos de sua residência, situada em um sítio no Assentamento Pontal do Marape, em Nova Mutum. O laudo policial indicou diversas lesões de defesa nos braços e antebraços da vítima, além de marcas de faca.
A apuração conduzida pelas autoridades apontou que o ex-marido, Romero, planejou a ação e contou com a ajuda do irmão, Rodrigo, a quem teria oferecido R$ 4 mil para participar da execução. O plano incluiu deixar o irmão escondido perto da propriedade e criar um álibi ao levar os filhos para Tapurah, onde almoçou com o ex-sogro e frequentou estabelecimentos comerciais.
O casal permaneceu junto por aproximadamente uma década. Os investigadores apontaram que o suspeito não aceitava a separação, tendo levado a motocicleta e o celular da vítima após cometer o crime, além de deixar uma televisão danificada no local.