A agricultura de Mato Grosso alcançou um marco histórico ao superar a produtividade média projetada para a Argentina na cultura do milho durante a safra 2025/26. Levantamento divulgado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que o estado atingiu o recorde de 130,11 sacas por hectare, superando as 127,01 sacas por hectare estimadas para o país vizinho.
O dado impressiona pela eficiência territorial: mesmo contando com uma área plantada 13% menor que a argentina, o solo mato-grossense entregou 58,04 milhões de toneladas, volume que equivale a expressivos 90,7% de toda a safra projetada para a Argentina, estimada em 64 milhões de toneladas.
Eficiência Tecnológica e Desempenho da Segunda Safra
Enquanto a Argentina semeou aproximadamente 8,40 milhões de hectares, Mato Grosso cultivou 7,43 milhões de hectares na temporada — uma diferença de 970 mil hectares superada pela alta produtividade das lavouras locais:
- Fatores de Produtividade: Segundo o analista de milho do Imea, Gabriel Brandão, o resultado corrobora os ganhos de eficiência amparados no uso de sementes de alto potencial, biotecnologia avançada, melhoria na fertilidade do solo e rigor técnico no manejo de janelas de plantio.
- Ritmo de Colheita: Enquanto o estado já havia encerrado a colheita do cereal, a Argentina enfrentava dificuldades de excesso de umidade que atrasavam os trabalhos de campo, com 92,5% da área colhida até o início de setembro.
O recorde de 130,11 sc/ha representa um acréscimo de 2,23% em relação ao ciclo anterior (2024/25), impulsionando a colheita estadual para um patamar 4,69% superior ao período passado.
Perspectivas e Alerta para a Safra 2026/27
Apesar do recorde consolidado, as primeiras estimativas do Imea para a próxima safra (2026/27) apontam para um cenário de maior cautela técnica no campo. A área prevista deve alcançar 7,48 milhões de hectares (alta de 0,59%), mas a produtividade está inicialmente projetada em 119,64 sacas por hectare — uma retração de 8,05% em comparação ao ciclo recordista, o que deve recuar a produção total para 53,68 milhões de toneladas.
A projeção mais conservadora reflete preocupações com possíveis interferências climáticas, como a atuação do fenômeno El Niño, que pode atrasar as chuvas, encurtar a janela ideal para a semeadura da segunda safra e elevar os riscos de estresse hídrico para as lavouras mato-grossenses.
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