Duas cidades da região sudeste do estado decidiram unificar forças para erguer uma barreira mais sólida contra o avanço das agressões de gênero.
Os municípios de Jaciara e São Pedro da Cipa foram integrados de forma oficial à política estadual de proteção às mulheres, capitaneada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O pacto resultou na ativação da 125ª e da 126ª Redes de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar do estado.
A formalização do termo de cooperação ocorreu no Fórum da Comarca de Jaciara e põe fim ao atendimento isolado de cada órgão. A partir de agora, o fluxo de acolhimento deixa de ser fragmentado: o acolhimento passa a funcionar como uma engrenagem única, conectando o primeiro atendimento policial ao suporte jurídico e psicossocial.
O fim do “efeito ioiô” no atendimento às vítimas
Um dos principais gargalos enfrentados por mulheres que decidem denunciar seus agressores é a necessidade de relatar a mesma violência repetidas vezes em diferentes balcões — delegacias, postos de saúde, secretarias de assistência e fóruns. A proposta da nova rede regionalizada é asfixiar essa burocracia por meio de um protocolo padrão.
Para que a engrenagem funcione na prática, o TJMT reuniu uma força-tarefa interinstitucional que envolve:
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Poder Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública;
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Forças de segurança pública (Polícias Militar e Civil);
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Prefeituras, secretarias municipais de Assistência Social e Saúde, além de conselhos de direitos.
A meta prioritária é garantir respostas imediatas. Imediatamente após a assinatura do documento, as equipes técnicas que atuam na ponta desses serviços passaram por um treinamento intensivo de qualificação. A capacitação focou no acolhimento humanizado, garantindo que o profissional identifique o risco iminente logo nos primeiros minutos de atendimento e acione os gatilhos de proteção legal sem expor a vítima a um novo estresse.
Prevenção nas salas de aula e reabilitação de agressores
O plano desenhado para Jaciara e São Pedro da Cipa reconhece que a punição, isoladamente, é insuficiente para estancar a escalada de casos na região. Por isso, as novas redes trazem em seu escopo de atuação mecanismos paralelos que miram a raiz do problema cultural da violência.
De um lado, o Judiciário vai intensificar a realização de grupos reflexivos obrigatórios voltados para os homens autores de violência doméstica, uma estratégia que busca reduzir os índices de reincidência de agressões no ambiente familiar. Na outra ponta, o foco será preventivo e de longo prazo, por meio de projetos pedagógicos e palestras educativas nas escolas da rede pública de ensino, debatendo o respeito de gênero diretamente com as novas gerações.
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