Estudo divulgado pela consultoria Agro do Itaú BBA aponta que o cultivo de eucalipto voltado ao suprimento energético das indústrias de etanol de milho pode gerar um retorno financeiro de cerca de R$ 4,2 mil por hectare ao ano em Mato Grosso. O montante equivale a aproximadamente 30 sacas de soja por hectare no mesmo intervalo.
O levantamento projeta um modelo de exploração estruturado em dois ciclos de corte ao longo de 13 anos. Sob essas condições, a Taxa Interna de Retorno (TIR) estimada alcança cerca de 17% ao ano, ao passo que o Valor Presente Líquido (VPL) registra saldo positivo de R$ 4,3 mil por hectare, calculados com base em uma taxa de desconto de 14% ao ano.
Expansão da Demanda e Necessidade de Florestas Plantadas
O forte crescimento do setor de etanol de milho impulsiona a busca por fontes alternativas e sustentáveis de biomassa para geração de energia nas plantas industriais:
- Crescimento Produtivo: A capacidade nacional do biocombustível, fixada em 10,9 bilhões de litros em 2025, tem projeção de saltar para 25,3 bilhões de litros até 2030. No território mato-grossense, principal polo produtor do país, a expectativa é de expansão de 6,9 bilhões para 11,9 bilhões de litros no mesmo período.
- Déficit de Área Plantada: Para suprir uma capacidade estimada de 12 bilhões de litros até o final da década no estado, serão necessários cerca de 383 mil hectares de eucalipto. Como Mato Grosso conta atualmente com pouco mais de 165 mil hectares cultivados, o setor precisará incorporar uma área adicional de aproximadamente 218 mil hectares.
Regulamentação Ambiental e Viabilidade Regional
O cenário para a silvicultura energética ganhou novo fôlego após o acordo firmado em junho de 2026 entre o governo estadual e o Ministério Público, que estabelece a redução gradual e a eliminação do uso de biomassa nativa até 2035, priorizando florestas plantadas e de manejo sustentável em novas indústrias.
Segundo Cesar de Castro Alves, especialista do Itaú BBA, o planejamento preventivo do suprimento energético garante previsibilidade de custos e mitiga riscos regulatórios. A consultoria destaca que o estado dispõe de terras aptas, regime hídrico favorável e proximidade com os centros de consumo — incluindo armazéns, frigoríficos e secadores de grãos —, com investimentos previstos entre R$ 7,6 bilhões e R$ 14,3 bilhões para consolidar a expansão da silvicultura voltada à bioenergia.
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