A força de trabalho industrial em Mato Grosso alcançou uma marca histórica ao ultrapassar 203 mil trabalhadores formais, impulsionada pelo aquecimento econômico do Estado e pelo crescimento no número de plantas fabris.
Os dados da Relação Anual de Informações Sociais, analisados pelo Observatório de Mato Grosso, mostram um acréscimo de 5,6 mil novos postos de trabalho em relação ao ano anterior, consolidando o setor como pilar estratégico ao responder por 16% dos empregos formais e 15% do Produto Interno Bruto (PIB) mato-grossense.
O salto na geração de empregos vem acompanhado do aumento da infraestrutura produtiva, com o total de estabelecimentos industriais subindo de 16,5 mil para 16,8 mil em todo o Estado. No entanto, a rápida expansão contrasta com a necessidade urgente de modernização do capital humano.
O Anuário da Indústria de Mato Grosso indica que o nível de escolaridade dos profissionais ainda caminha a passos lentos: apenas cerca de 9% dos trabalhadores do setor possuem ensino superior completo — proporção em que aproximadamente apenas um a cada onze funcionários conta com graduação —, enquanto a maior parte da mão de obra (54,5%) possui o ensino médio completo.
Essa disparidade entre o avanço tecnológico das cadeias produtivas e a escolaridade dos trabalhadores desenha o maior desafio do setor para os próximos anos. Projeções do Mapa do Trabalho Industrial apontam que Mato Grosso precisará qualificar cerca de 210 mil pessoas no biênio de 2026 a 2027 para sustentar o ritmo de crescimento e absorver as transformações da indústria 4.0.
A par da qualificação, a equidade de gênero figura como outra barreira estrutural a ser superada no ambiente fabril mato-grossense. As mulheres ocupam atualmente apenas 22,3% dos postos formais da indústria no Estado — o equivalente a 46 mil trabalhadoras em um universo dominado por mais de 157 mil homens.
Superar o gargalo da qualificação e ampliar a inclusão feminina surgem, portanto, não apenas como pautas sociais, mas como requisitos econômicos indispensáveis para garantir a competitividade e o futuro do setor produtivo regional.
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