A disputa da BYD pelo topo do mercado brasileiro passa por uma fábrica maior na Bahia, capaz de produzir para o país e atender encomendas de vizinhos.
A montadora quer se tornar a líder nacional em volume de vendas até 2030, meta que inclui superar Volkswagen e Chevrolet.
Parte da pressão sobre a unidade de Camaçari já vem do exterior, com pedidos de 50.000 veículos do México e outros 50.000 da Argentina.
A empresa afirma que poderá atender a essas encomendas a partir de 2027, quando espera elevar a participação de componentes nacionais em sua produção.
Segundo Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, a marca já lidera o mercado uruguaio e ocupa posições de destaque em vendas na Colômbia e na Argentina.
Para viabilizar as exportações regionais e cumprir as exigências regulatórias, a fábrica deve começar 2027 com um índice de nacionalização superior ao mínimo exigido de 50% dos componentes, afirmou o executivo em entrevista à Reuters.

Essa mudança também responde a reclamações de grupos da indústria brasileira sobre a dependência da BYD de importações e de tarifas temporariamente baixas.
Baldy diz que a companhia trabalha para colocar novas etapas industriais em operação na virada para 2027 e, assim, ser considerada uma fabricante local.
A transformação ocorre no complexo de Camaçari, na Bahia, inaugurado em 9 de outubro do ano passado nas instalações que pertenceram à Ford.
Os galpões de estamparia, soldagem e pintura estão na fase final de obras e testes, de acordo com o principal executivo da empresa no país.
Ao mesmo tempo, a BYD iniciou os pedidos de licenças para dobrar a capacidade anual da unidade, levando-a a 600.000 veículos.
O investimento na nova fábrica brasileira já ultrapassou R$ 5,5 bilhões, enquanto o quadro atual de cerca de 9.000 funcionários deve chegar a aproximadamente 10.000 até o fim deste ano.
A ampliação tem uma razão imediata: de acordo com Baldy, a procura pelos carros da marca já supera a capacidade atual de produção.
A meta é alcançar um ritmo mensal de 25.000 veículos até o fim deste ano, mas a BYD prevê que a demanda continuará acima da oferta mesmo nesse patamar.
Segundo o executivo, a procura gira em torno de 30.000 carros por mês, diferença que deixa a companhia sem condições de faturar cerca de 5.000 a 6.000 vendas adicionais.
Esse descompasso acompanha o avanço comercial da fabricante, que registrou 22.209 veículos emplacados no Brasil em setembro, equivalentes a 8,5% do mercado, segundo dados da própria empresa.
Baldy afirmou ainda que as vendas faturadas da operação brasileira alcançarão nesta semana a marca acumulada de 200.000 carros neste ano.
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