A busca por crescimento fora da China ganha força na XPeng diante da desaceleração da procura por EVs em seu mercado doméstico.
Brasil, Arábia Saudita, Japão e Coreia aparecem entre os destinos ainda pouco explorados que podem sustentar a próxima etapa dessa estratégia internacional.
Brian Gu, vice-presidente e presidente da XPeng, afirma que as vendas externas podem representar 50% do volume da empresa em cinco anos.
Atualmente, os mercados estrangeiros respondem por cerca de 20% das entregas, deixando uma ampla margem para expansão ao longo desse período.
O executivo de 53 anos explicou, durante entrevista concedida na terça-feira em Melbourne, que cada país exigirá uma abordagem específica.

Alguns mercados poderão até receber produção local, medida considerada necessária para evitar tarifas de importação e manter os carros competitivos.
Antes de entrar na XPeng em 2018, Gu trabalhou como banqueiro de investimentos no JPMorgan Chase & Co.
A fabricante foi criada em 2014 e acumula pelo menos sete prejuízos anuais consecutivos, apesar do crescimento de sua presença internacional.
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Parte dos recursos também segue para robótica e carros voadores, áreas que exigem investimentos elevados antes de gerar retornos relevantes.
Segundo Gu, a rentabilidade obtida com EVs vendidos fora da China ajuda a compensar uma parcela desses gastos tecnológicos.

A XPeng estreou na bolsa de Nova York em 2020 e passou a negociar ações em Hong Kong no ano seguinte.
Os papéis recuaram 35% neste ano, reduzindo o valor de mercado para cerca de HK$ 100 bilhões (R$ 71,9 bilhões).
O movimento internacional também responde à nova retração registrada em junho no mercado chinês de automóveis de passageiros.
Os dados revelam uma distância crescente entre a demanda interna enfraquecida e o avanço acelerado dos embarques chineses para outros países.
A empresa informou neste mês que conversa com possíveis parceiros para ampliar suas operações de fabricação na Europa.
A Austrália ocupa posição importante nesse plano e receberá cinco novos EVs da XPeng durante os próximos seis meses.
A ofensiva incluirá o X9 de sete lugares e o novo utilitário compacto L03, ampliando significativamente a oferta disponível no país.
Até agora, a marca encontra dificuldade para ganhar espaço desde a chegada do utilitário G6 ao mercado australiano, no fim de 2024.
A XPeng permanece distante das líderes BYD e Tesla, principalmente diante da diferença atual entre seus volumes mensais.
Dados acompanhados pelo site The Driven mostram que a fabricante vendeu apenas 24 carros na Austrália no mês passado.
Durante o mesmo período, a BYD alcançou 10.174 unidades, resultado que evidencia o tamanho do desafio enfrentado pela concorrente chinesa.
Mesmo partindo de uma base reduzida, Gu acredita que a nova gama pode colocar a XPeng entre as cinco marcas de EVs mais vendidas do país até 2030.
O próprio executivo considera essa meta conservadora e declarou que a empresa deveria alcançar um desempenho ainda melhor do que essa posição.
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