A Genesis decidiu ampliar sua presença europeia justamente quando enfrenta retração nas vendas, apostando que novos mercados e uma gama fortemente eletrificada podem mudar esse cenário.
A marca premium da Hyundai começará a operar em Áustria, Dinamarca, Polônia e Portugal no próximo ano, avançando para uma nova etapa de expansão continental.
Neste ano, a Genesis iniciou vendas na França, Itália, Espanha e Holanda, enquanto Reino Unido, Alemanha e Suíça recebem seus modelos desde 2021.
O objetivo global é chegar a 350.000 veículos vendidos em 2030, contra 221.482 unidades registradas pela marca durante todo o ano de 2025.
Ao mesmo tempo, a Genesis pretende atuar em 40 mercados até o final da década, ampliando consideravelmente os 24 países atendidos atualmente.

Jose Munoz, CEO da Hyundai Motor, afirmou durante o encontro com investidores de 26 de agosto que o segmento de luxo concentra rentabilidade e continua crescendo.
Parte importante dessa estratégia será um SUV elétrico com extensor de autonomia, programado para lançamento global no começo de 2027.
O modelo combinará um motor a combustão com uma bateria de grande capacidade e terá alcance total anunciado de 1.030 km.
A Genesis ainda não informou em quais mercados esse SUV será vendido, mas pretende utilizá-lo para aproveitar a demanda por modelos premium eletrificados.
Outro lançamento importante será o GV90, SUV elétrico de topo equipado com bateria de 123 kWh e diversos recursos direcionados ao segmento de luxo.

Entre os equipamentos previstos estão portas traseiras de abertura invertida opcionais, comandos com aparência de cristal e bancos dianteiros capazes de girar dentro da cabine.
Segundo Munoz, 25% dos compradores de veículos de luxo demonstram entusiasmo por SUVs eletrificados de alto desempenho, proporção superior à registrada nos demais segmentos.
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A Europa, entretanto, continua sendo uma das regiões mais difíceis para a Genesis, que vendeu 1.448 veículos nos primeiros sete meses.
Esse volume representa queda de 19% no período, segundo a Dataforce, deixando a fabricante abaixo até mesmo da Maserati em vendas regionais.
A marca respondeu concentrando sua oferta europeia quase totalmente em EVs, que já representaram 95% das vendas locais até julho.

Os SUVs elétricos GV60 e GV70 lideraram esse desempenho, refletindo uma mudança de estratégia diante do crescimento da eletrificação no mercado premium europeu.
Nos primeiros sete meses, EVs responderam por 27% das vendas premium na Europa, enquanto híbridos plug-in acrescentaram outros 18%.
Entre marcas de maior volume, os EVs ficaram com 22% das vendas, enquanto os híbridos plug-in alcançaram participação de 8,3%.
Ainda assim, entrar no topo do mercado europeu exige enfrentar fabricantes profundamente estabelecidas, especialmente BMW, Mercedes-Benz e Audi.
As três marcas alemãs concentraram juntas 71% das vendas premium nos primeiros sete meses, segundo os números levantados pela Dataforce.
A Volvo apareceu depois com 10% de participação, seguida pela Mini com 6,3% e pela Land Rover com 3,6%.
O histórico mostra a dificuldade dessa disputa, já que a Infiniti deixou a Europa em 2020 após não conseguir construir presença relevante desde sua estreia em 2008.
A Genesis, porém, sustenta que seu crescimento global oferece uma base diferente, tendo alcançado 1 milhão de veículos vendidos em sete anos e oito meses.
Segundo a Hyundai, a Lexus levou nove anos para atingir o mesmo volume acumulado, enquanto a Infiniti precisou de 14 anos.
A aposta é que o próprio segmento abra espaço para novos participantes, já que a Hyundai projeta mais de 3 milhões de veículos premium vendidos globalmente em 2031.
Estados Unidos, Europa e China deverão liderar essa expansão, enquanto a Genesis tenta transformar alcance internacional e eletrificação em escala suficiente para desafiar marcas tradicionais.
