O presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), e o vice-presidente do Legislativo, Bruno Rios (PL), protagonizaram uma discussão no início da sessão desta terça-feira (20), poucas horas depois da deflagração da Operação Cathedra Venalis, do Gaeco.
Wanderley e outros 12 vereadores de Várzea Grande são investigados na operação, que apura suspeitas de corrupção e irregularidades relacionadas aos bastidores da disputa pela Mesa Diretora da Casa. Bruno Rios não está entre os alvos da ação.
A discussão começou enquanto os dois parlamentares estavam sentados lado a lado na Mesa Diretora. Com o microfone ainda aberto, Wanderley disse ao vice-presidente:
“Você vai pagar.”
Bruno reagiu e afirmou que não aceitaria ser ameaçado.
Logo depois, o áudio do sistema foi interrompido, o que impede ouvir integralmente a sequência inicial da conversa. Os vereadores, no entanto, continuaram discutindo e novos trechos foram captados pelos microfones.
“Não tenho culpa, não”, afirmou Bruno.
Wanderley respondeu:
“Você vai saber na hora certa.”
Bruno voltou a contestar o presidente e disse que não responderia pelos atos de outros parlamentares.
“Ninguém vai me ameaçar aqui, não. Faz o que você quiser. Eu não vou aceitar, não. Vai ameaçar outro. Eu não tenho nada a ver com isso, as ações são de vocês. Eu respondo pelos meus atos, não os de vocês”, declarou.
A expressão “ameaça” foi usada pelo próprio Bruno durante a discussão. Não é possível determinar, apenas pelas imagens e pelos trechos audíveis da sessão, a intenção de Wanderley ao dizer “você vai pagar”.
Discussão ocorre após operação do Gaeco
O confronto verbal aconteceu horas depois de o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado deflagrar a Operação Cathedra Venalis.
A ação cumpre 30 mandados de busca e apreensão e investiga 15 vereadores, sendo 13 de Várzea Grande e dois de Cuiabá. Segundo as informações divulgadas sobre a operação, são apuradas suspeitas de corrupção, obtenção de vantagens indevidas, cooptação de agentes públicos e possível atuação de organização criminosa.
Wanderley está entre os alvos da investigação. Bruno Rios, por outro lado, não integra a relação de parlamentares investigados divulgada até o momento.
Bruno levou disputa da Mesa ao STF
A relação entre os dois vereadores também é atravessada pela disputa pelo comando da Câmara.
Em 14 de maio, Wanderley foi reeleito presidente da Casa para o biênio 2027/2028 ao derrotar a chapa encabeçada por Lucas do Chapéu do Sol (PL) por 12 votos a 11.
Bruno Rios recorreu ao Supremo Tribunal Federal contra a realização antecipada da eleição.
O ministro Dias Toffoli acolheu a reclamação e anulou o pleito. Segundo a decisão, a votação realizada em maio ocorreu antes do marco temporal estabelecido pela jurisprudência do STF para a escolha das Mesas Diretoras, considerada válida a partir de outubro do ano anterior ao início do mandato.
A decisão tratou da antecipação da eleição, e não das suspeitas criminais que agora são investigadas pelo Gaeco.
Nova eleição segue indefinida
A anulação abriu uma nova disputa interna pelo comando da Câmara de Várzea Grande.
Mais recentemente, vereadores recorreram à Justiça para tentar obrigar Wanderley a convocar uma nova eleição para o biênio 2027/2028. O Judiciário determinou que o presidente da Casa prestasse esclarecimentos sobre a demora antes de analisar o pedido de liminar.