A próxima etapa da eletrificação da Renault no Brasil ganhou financiamento e prazo: o BNDES aprovou R$ 181,8 milhões para desenvolver uma tecnologia híbrida flex destinada a um veículo nacional com lançamento previsto para 2027.
O projeto integra o ciclo de investimentos de R$ 5,8 bilhões anunciado pela Renault Geely para o mercado brasileiro entre 2025 e 2027.
A empresa pretende usar esses recursos para desenvolver tecnologias e renovar sua linha, em uma estratégia voltada a ampliar a competitividade da operação no país.
Milton Trein, diretor financeiro da Renault Geely do Brasil, afirmou que o financiamento permitirá mobilizar mais rapidamente recursos e profissionais especializados, além de reforçar a atratividade do Brasil para investimentos em inovação.
A engenharia do projeto ficará concentrada na unidade industrial de São José dos Pinhais, no Paraná, onde a empresa pretende preparar a aplicação da tecnologia em um veículo produzido no país.
O modelo ainda não foi identificado.

Segundo o BNDES, a solução será incorporada a uma futura versão eletrificada de um carro que a Renault já fabrica no Brasil, mas o comunicado não informa qual deles receberá o conjunto.
A pista mais concreta está na configuração divulgada: um sistema de 48 volts alimentará um motor elétrico traseiro, que trabalhará em conjunto com o motor 1.3 turbo flex da Renault.
A combinação foi pensada para usar gasolina ou etanol junto da propulsão elétrica, mantendo a tecnologia híbrida flex como foco do desenvolvimento voltado ao mercado brasileiro.
O projeto também prevê ampliar a participação de profissionais de engenharia no país na criação de tecnologias automotivas, em vez de depender apenas de soluções desenvolvidas no exterior.
A produção local pode, ainda, fortalecer a cadeia de fornecedores ligada ao novo sistema, embora a fabricante não tenha detalhado quais componentes serão feitos no Brasil.
Na fábrica paranaense, a Renault produz atualmente Kardian, Boreal, Kwid, Oroch e Duster, lista que delimita as possibilidades indicadas pelo comunicado do BNDES sem confirmar o escolhido.
Entre esses modelos, Kardian e Boreal aparecem como os mais cotados porque utilizam a base RGMP, preparada para receber sistemas híbridos e elétricos, além de conjuntos a combustão.
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A Mobiauto apurou que o Boreal terá uma versão híbrida e chegará nessa configuração antes da Niagara, mas não há confirmação de que ele seja o veículo ligado ao financiamento.
A Niagara também já foi confirmada com sistema híbrido, porém virá da Argentina e chegará depois, ficando fora da previsão de aplicação da tecnologia em um modelo produzido no Brasil.
As informações divulgadas pelo governo, portanto, antecipam a arquitetura do projeto sem definir a carroceria que receberá o primeiro sistema híbrido flex desenvolvido para a produção nacional da Renault.
Ainda faltam dados de desempenho e consumo.
A Renault também não divulgou as especificações definitivas do conjunto mecânico nem confirmou qual dos modelos feitos em São José dos Pinhais ganhará a nova versão.
O lançamento do veículo produzido no Brasil está programado para 2027.
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