A Cooperativa de Trabalho de Catadores de Materiais Recicláveis de Tangará da Serra (Coopertan) já despendeu uma quantia expressiva para lidar com materiais que chegam misturados aos recicláveis.
Gastos com transporte de rejeitos O grupo já investiu valores que chegam a R$ 40 mil apenas para pagar o frete de caminhões e o uso de pá carregadeira para encaminhar esses resíduos ao Aterro Municipal, onde a descarga é gratuita, mas a logística gera despesas financeiras pesadas para a instituição.
Desafios na coleta seletiva A presidente e sócia catadora da Coopertan, Mikaele Panúncio reforçou que a educação para a reciclagem ainda carece de muito trabalho. “A cooperativa já gastou 40 mil ou mais para poder fazer essa destinação do rejeito que chega dentro do saco que é apenas para materiais recicláveis”.
Problemas recorrentes no material recolhido Entre os itens inadequados encontrados nos sacos destinados à reciclagem estão materiais inservíveis como fraldas plásticas e descartáveis, lixo de cozinha, folhas e até mesmo animais mortos e vivos, o que dificulta o trabalho dos profissionais. Segundo Mikaele, a Coopertan realiza o trabalho de orientação em escolas ou empresas para prestar informações sobre a coleta seletiva e basta ser solicitada. “Fazemos esse trabalho, mas, mesmo assim, ainda recebemos materiais que não servem nem para nós, nem para ninguém e deveriam estar em outra sacola, inclusive animais vivos”, alerta. “As pessoas chamam a imprensa e dizem que não recolhemos o saco, mas quando vamos verificar, tem dentro fralda descartável, lixo de cozinha, folhas, material que não compete à cooperativa. Precisamos da consciência de todos nessa causa”.
Mobilização da sociedade civil Para debater soluções para esses problemas, o Coletivo Lixo Zero do município promoveu recentemente o seu primeiro encontro, reunindo diferentes frentes da sociedade com o objetivo de traçar metas abrangentes. “De tal forma que o poder público, as organizações da cidade, Rotary, o Lions, o CTG e os trabalhos que não precisam necessariamente ser organizações ambientais, mas as igrejas também, se juntem a nós nesse trabalho de cuidar da criação”, comenta Evandro Meurer, que integra o Grupo Gestor do Programa Ambiental Galo Verde, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).
Apoio do Poder Legislativo A vereadora Evânia Félix, representando a Câmara Municipal, destacou a relevância de somar esforços para resolver essa questão crítica. “A população tem que entender o que é lixo para a Coopertan vira despesa, porque eles têm que pagar outros para levar esse lixo enviado para eles ao local correto de descarte. É tudo pago, e apesar de todo trabalho, ainda recebem bichos mortos e materiais inservíveis como fralda plástica”.