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Buzetti critica falta de apoio a mulheres e destaca leis aprovadas durante passagem pelo Senado

A candidata ao Senado Margareth Buzetti (PP) afirma que a participação das mulheres na política ainda esbarra em uma contradição: enquanto o discurso público defende maior presença feminina, o apoio nem sempre se mantém quando elas passam a disputar diretamente os espaços de poder.

Em entrevista ao Cuiabá Notícias, Margareth relatou dificuldades vividas na campanha e disse que, em vários momentos, percebeu falta de suporte político.

“Todos apoiam mulheres no discurso. No discurso é lindo”, afirmou. Em outro momento, acrescentou que, quando a mulher entra efetivamente na disputa, “você vê que a mulher caminha sozinha em muitos momentos”.

A avaliação ocorre em um cenário em que a participação feminina ainda é minoritária nos cargos políticos. Atualmente, mulheres ocupam menos de 20% das cadeiras do Senado. Na eleição deste ano, 69 mulheres registraram candidatura à Casa, equivalente a cerca de 22% dos concorrentes ao cargo no país.

Em Mato Grosso, Margareth disputa pela primeira vez uma vaga no Senado como titular. Ela já exerceu o mandato em diferentes períodos como primeira suplente de Carlos Fávaro (PSD).

“Trabalhei muito”

Ao falar das dificuldades enfrentadas pelas mulheres na política, Margareth também usou sua passagem pelo Senado para defender a própria trajetória.

“Eu, em três anos de mandato, substituindo o meu titular, consegui entregar quatro grandes leis”, disse. A candidata afirmou ainda que considera que sua atuação foi pouco conhecida fora de Brasília. “Eu trabalhei muito e, talvez, comuniquei pouco”, declarou.

Quatro leis federais em vigor tiveram origem em projetos de autoria de Margareth Buzetti.

Uma delas é a Lei 14.994/2024, originada do PL 4.266/2023, que transformou o feminicídio em crime autônomo e aumentou a pena para esse tipo de crime.

Também partiu de projeto apresentado por Margareth a Lei 15.035/2024, que criou o Cadastro Nacional de Pedófilos e Predadores Sexuais e permitiu a consulta pública de dados de pessoas condenadas por crimes contra a dignidade sexual, mantendo preservadas as informações das vítimas.

Outra proposta de autoria da então senadora resultou na Lei 15.171/2025, que ampliou o direito à cirurgia de reconstrução da mama pelo SUS e por planos de saúde para casos de mutilação total ou parcial independentemente da causa, e não apenas em situações decorrentes do tratamento de câncer.

A quarta é a Lei 15.280/2025, originada do PL 2.810/2025. A lei aumentou penas para crimes sexuais contra pessoas vulneráveis e estabeleceu medidas como coleta de perfil genético e monitoramento eletrônico em determinadas situações previstas pela legislação.

Relatorias também resultaram em mudanças na legislação

Além dos projetos próprios, Margareth atuou como relatora de propostas que posteriormente foram transformadas em lei.

Em 2023, ela relatou no Senado o projeto que criou o auxílio-aluguel para mulheres vítimas de violência doméstica em situação de vulnerabilidade, posteriormente transformado na Lei 14.674/2023.

Neste ano, foi relatora no Senado do projeto sobre violência vicária, situação em que filhos ou pessoas próximas são atingidos como forma de causar sofrimento à mulher. A proposta foi sancionada como Lei 15.384/2026 e passou a prever também o vicaricídio como crime hediondo. A autoria original do projeto é da deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ), enquanto Margareth foi responsável pela relatoria no Senado.

De suplente a candidata ao cargo

Margareth sustenta que a experiência no Congresso mostrou a ela tanto as dificuldades enfrentadas por mulheres na política quanto a possibilidade de transformar pautas em legislação.

Durante a entrevista, ao falar sobre o período em que exerceu o mandato, ela resumiu o argumento que pretende levar à campanha: “Então, imagina o que eu posso fazer em oito anos”.

A candidata também afirmou que, apesar das dificuldades encontradas no ambiente político, não se arrepende de ter entrado na vida pública. “Faria tudo de novo, igual”, declarou.

Agora, em vez de retornar ao Senado na condição de suplente, Margareth tenta conquistar uma das duas cadeiras de Mato Grosso que estarão em disputa nas eleições de 2026.

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