A Volkswagen entra em uma semana decisiva na Alemanha, pressionada por um plano que pode elevar os cortes de empregos para até 50.000 e mexer em fábricas.
O conselho de supervisão da maior fabricante de automóveis da Europa se reúne em 4 de setembro para discutir uma ampla reorganização destinada a reduzir custos.
A proposta coloca a administração da Volkswagen de um lado e representantes dos trabalhadores e o estado da Baixa Saxônia do outro nas negociações.
Segundo fontes próximas às conversas, o possível acordo deve se concentrar principalmente no tamanho dos cortes de postos e no futuro de unidades consideradas ameaçadas.
Olaf Lies, primeiro-ministro da Baixa Saxônia, afirma existir forte pressão sobre todas as partes para que uma solução seja alcançada nos próximos dias.
Lies pediu que o período restante antes da reunião seja usado para aproximar posições que ainda permanecem distantes dentro das discussões sobre o futuro da companhia.
A urgência aumenta porque a Volkswagen enfrenta tarifas elevadas, queda da demanda e concorrência crescente das fabricantes chinesas em vários de seus mercados mais importantes.
Para o primeiro-ministro, porém, qualquer decisão também precisa considerar a dimensão da Volkswagen dentro da estrutura industrial alemã e seu impacto além dos resultados financeiros.
A companhia mantém diversas instalações na Baixa Saxônia e em outras regiões da Alemanha, empregando dezenas de milhares de pessoas diretamente em suas operações.
Lies também destacou as famílias desses trabalhadores, além da extensa rede de fornecedores e prestadores de serviços economicamente ligados à atividade industrial da Volkswagen.
Por essa razão, ele considera que o grupo carrega uma responsabilidade significativa perante a economia e a sociedade, além das obrigações relacionadas à própria competitividade.
Oliver Blume, CEO da Volkswagen, pretende dobrar os cortes de postos inicialmente planejados, levando o total potencial para até 50.000 dentro da reorganização.
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O executivo também avalia o possível fechamento de fábricas e a separação de algumas divisões da companhia como parte de uma tentativa ampla de reduzir despesas.
Essas propostas encontram forte resistência dos representantes dos trabalhadores e provocam preocupação na Baixa Saxônia, segundo maior acionista da Volkswagen e dona de participação com poder efetivo de bloqueio.
A estrutura acionária dá ao estado influência relevante sobre decisões estratégicas, tornando seu apoio especialmente importante para mudanças profundas na organização industrial do grupo alemão.
Administração e representantes dos trabalhadores buscam agora um ponto intermediário capaz de preservar parte da estrutura existente sem abandonar as metas de redução de custos.
Lies afirmou estar convencido de que uma solução viável precisa ser encontrada e defendeu que ela mantenha o equilíbrio tradicional entre prudência econômica e responsabilidade social.
Esse princípio, segundo ele, sempre esteve presente na Volkswagen e deve servir como referência para avaliar qualquer acordo que saia das negociações atuais.
Antes da reunião do conselho de supervisão, o comitê executivo da Volkswagen deve se reunir na quinta-feira para verificar o avanço das conversas e avaliar possíveis convergências.
Esse grupo inclui o chefe do conselho de trabalhadores, Olaf Lies e integrantes das famílias Porsche e Piech, acionistas historicamente ligados ao controle da Volkswagen.
A reunião anterior ao conselho pode ser decisiva para medir se haverá apoio suficiente a uma proposta capaz de evitar um impasse entre administração, trabalhadores e acionistas.
A Volkswagen chega, assim, ao início de setembro diante de uma escolha delicada entre acelerar sua redução de custos e preservar uma estrutura industrial com enorme peso na Alemanha.
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