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Parceria fortalece o futebol feminino em São Paulo

A Federação Paulista de Futebol (FPF) e a Liga F, principal competição feminina de clubes da Espanha, anunciaram nesta quarta-feira (26) uma cooperação institucional para fortalecer o futebol feminino em São Paulo e ampliar a integração da modalidade no cenário internacional.

O acordo foi oficializado durante o evento Dia F: Legado e Futuro do Futebol Feminino, realizado na sede da FPF, na capital paulista.

Segundo as entidades, a parceria prevê ações voltadas à promoção e internacionalização do futebol feminino, formação técnica e administrativa, projetos de impacto social e desenvolvimento da arbitragem feminina. Também estão previstas a realização de cursos, pesquisas, visitas técnicas e iniciativas conjuntas, além do intercâmbio entre profissionais das duas organizações.

O presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, afirmou que a entidade já mantém uma parceria de longa duração com La Liga, da Espanha, mas identificou a necessidade de ampliar o diálogo especificamente sobre a modalidade feminina.

“A FPF já possui uma parceria de longa data com La Liga, da Espanha, que contribui muito com o futebol paulista, mas sentíamos a necessidade de falar mais sobre futebol feminino. Queremos fazer uma imersão sobre futebol feminino e impulsionar ainda mais”, disse.

A FPF mantém uma estrutura exclusiva para o futebol feminino desde 2016. A entidade foi a primeira federação nacional a criar um departamento dedicado à modalidade e também atua de forma pioneira na organização de competições de base para meninas.

Para Beatriz Álvarez, presidente da Liga F, a cooperação representa uma oportunidade de troca entre as instituições. Segundo ela, o objetivo não é apenas apresentar o modelo espanhol ao Brasil, mas compartilhar experiências e também aprender com o trabalho desenvolvido pela FPF.

“Para a Liga F, é um enorme orgulho que uma instituição da dimensão e do prestígio da Federação Paulista tenha se interessado pelo nosso processo de profissionalização, pela nossa estrutura e pelo nosso modelo de governança”, afirmou Beatriz. “Mas esta relação não consiste em a Liga F vir ao Brasil para ensinar um modelo. Viemos para compartilhar. E viemos também para aprender.”

Expansão para outros estados

A ex-jogadora da Seleção Brasileira Formiga defendeu que o futebol feminino seja ampliado para outros estados e alcance também cidades fora das capitais. Ela também ressaltou a necessidade de investimentos nas categorias de base.

“Precisamos sair das sedes”, afirmou.

Formiga atuou como volante e meia e é a futebolista com mais participações como atleta na história da Copa do Mundo, considerando homens e mulheres, com sete edições disputadas. A ex-jogadora também foi duas vezes vice-campeã olímpica e uma vez vice-campeã mundial de futebol feminino.

Durante o evento, Formiga destacou a importância de outros clubes aderirem ao desenvolvimento da modalidade e ampliarem as oportunidades para as jogadoras.

“Outros clubes precisam aderir à ideia do futebol feminino, saber que futebol feminino hoje, sim, é realidade. Precisamos espalhar o que está acontecendo hoje [em São Paulo]”, disse Formiga.

Na avaliação da ex-jogadora, meninas de diferentes regiões do país precisam ter acesso a uma formação de qualidade. Ela também defendeu que os clubes ofereçam mais segurança e continuidade ao trabalho desenvolvido com as atletas.

Formiga afirmou ainda que a experiência da Federação Paulista pode servir de referência para outros estados, permitindo que jovens jogadoras tenham mais oportunidades perto de suas famílias antes de precisarem migrar para outras regiões.

“Que a Federação Paulista possa servir de exemplo, de espelho, para que possamos cada vez mais manter essas meninas em seus estados, mais tempo com suas famílias. E, quando elas forem migrar para um outro estado, que elas possam estar preparadas; quando forem para a Seleção Brasileira, que possam estar preparadas”, ressaltou.

Importância das categorias de base

Apesar de o futebol masculino possuir uma trajetória mais consolidada, Formiga ressaltou que as jogadoras também se tornaram referências para novas gerações, inclusive para meninos. Nesse contexto, ela destacou a necessidade de fortalecer o trabalho nas categorias de base.

“Que possamos cada vez mais ter interação entre o futebol feminino e o masculino, e um trabalho de base, que é muito necessário. E que cada vez mais tenhamos parceiros que acreditem nessa evolução, nesses projetos, porque [o futebol] muda vidas”, disse.

Ao falar sobre o futuro da modalidade, Formiga também ressaltou a importância de reconhecer a trajetória construída pelo futebol feminino no país. Para ela, é necessário valorizar os profissionais que participaram desse processo e preservar suas histórias.

A ex-jogadora defendeu ainda o envolvimento de diferentes setores para que os avanços obtidos possam gerar novas oportunidades para meninas em todo o país.

“Que todos realmente estejam envolvidos para que amanhã e depois possamos colher bons frutos. Bons frutos esses que são várias meninas em vários lugares com os seus direitos de jogar futebol, sem preconceito, sem nenhum tipo de machismo”, acrescentou.

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