Imagens mostram o assistente australiano VAR fazendo um gesto de mão que pode ser associado a grupos de extrema direita.
O conselho de monitoramento de discriminação da FIFA solicitou formalmente a remoção do árbitro de vídeo australiano Shaun Evans da equipe oficial da Copa do Mundo de 2026. O pedido foi motivado por um gesto captado pela transmissão oficial do torneio no último domingo (14), momentos antes do início da partida entre Alemanha e Curaçao, disputada em Houston.
Nas imagens da transmissão, Evans foi visto fazendo um gesto de mão semelhante ao sinal “OK” posicionado na altura da perna. A Fare Network, parceira da FIFA e da UEFA no monitoramento de práticas discriminatórias em eventos internacionais, classificou o gesto como uma referência a símbolos de “poder branco” adotados por grupos de extrema-direita.
Contexto do sinal e investigação
O sinal, realizado com o polegar e o indicador unidos em círculo, foi categorizado em 2019 pela Liga Antidifamação (ADL), organização sediada em Nova York, como um possível símbolo de ódio. A Fare Network destacou em comunicado oficial que, embora o gesto possa ser interpretado de formas distintas — como em brincadeiras infantis conhecidas como “jogo do círculo” —, o contexto de um evento global exige rigor absoluto.
“O conselho de nossos especialistas é que o gesto usado se assemelha claramente a um símbolo frequentemente utilizado em círculos globais de extrema-direita. Claramente, este oficial não deve ter mais nenhum papel a desempenhar nesta Copa do Mundo”, afirmou a organização, qualificando a conduta como incompatível com os valores do futebol internacional.
Investigação em curso
Até o momento, não foi esclarecido se o oficial australiano realizou o movimento com intenção política ou se tratava de uma brincadeira informal. Shaun Evans foi um dos 30 analistas de revisão de vídeo selecionados pela FIFA para atuar na competição realizada nos Estados Unidos, Canadá e México.
A FIFA, assim como a Football Australia e a Associação de Árbitros de Futebol Profissional da Austrália, ainda não se manifestaram oficialmente sobre o pedido de afastamento. Observadores notaram que, após a repercussão do caso, a direção de transmissão da TV cessou a exibição ao vivo da equipe de VAR antes das partidas subsequentes.
A ADL ressalta que o contexto é o fator determinante para a interpretação de tais símbolos, mas reforça que a frequência com que o sinal tem sido adotado para fins odiosos justifica a preocupação de entidades reguladoras em grandes eventos.
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