Para muitos jovens de Lucas do Rio Verde, seguir no esporte não depende apenas de talento ou dedicação. Depende, muitas vezes, de condições básicas — um tênis adequado, uma roupa de treino, uma viagem para competir. É nesse ponto que o Bolsa Atleta tem feito diferença prática no dia a dia de quem tenta construir uma trajetória esportiva. E nesta quarta-feira (06) foram apresentados os atletas que serão beneficiados em 2026. A cerimônia, que reuniu ainda familiares e professores de modalidades atendidas pelo programa Viva Lucas, aconteceu no Auditório dos Pioneiros.
A atleta Tauany Yasmin da Silva, que recebe o benefício pelo segundo ano, resume essa realidade de forma direta. “Vai me ajudar a comprar tênis, roupa, se eu precisar… e é bom, porque tem muita gente que não tem condições”, conta. No ano passado, o recurso já foi essencial. “Eu tive que comprar sapatilha e tênis. Aí, me ajudou muito”, diz. Com mais estrutura, ela conseguiu competir mais — e também vencer. Agora, pensa em ir além: “Quero me tornar profissional”.
Incentivo que evita desistências
O impacto do programa aparece também no discurso de quem quase deixou o esporte. Rian Willian é um desses casos. “Se não fosse o Bolsa, eu já teria parado de treinar”, afirma. Há cerca de dois anos na modalidade, ele vê no auxílio uma condição para continuar.
A fala dele encontra eco em outros atletas. Miguel Bilibio, que joga futsal desde os seis anos, diz que o incentivo funciona como um empurrão psicológico. “Toda vez que a gente pensa em parar, vê isso como incentivo pra continuar e se esforçar mais”, comenta. Para ele, o dinheiro também tem outro peso: “Dá pra ajudar a família, comprar alguma coisa pra mãe”.
Realidade de quem depende de apoio para competir
Entre os jovens, é comum a percepção de que o esporte exige mais do que apenas presença nos treinos. Luana Victoria, que treina há dois anos, chama atenção para isso. “Às vezes a pessoa não tem condição de comprar tênis, roupa… aí com o incentivo ela consegue e se sente mais confortável”, explica.
Ela acredita que o programa pode inclusive atrair novos atletas. “Tem gente que acha que é só ir lá e treinar, mas tem vários custos. Com esse apoio, fica mais fácil começar”, avalia.
Para o técnico de futsal Odair Fiori, esse tipo de política ajuda a manter os alunos nas equipes. “É aquele empurrão a mais. Ajuda a manter eles motivados”, resume.

Apoio que chega dentro de casa
O reflexo do Bolsa Atleta não fica só nas quadras ou pistas. Ele chega dentro das famílias. Juliana Maria, mãe da atleta Maria Clara, acompanha de perto esse impacto. A filha recebe o benefício há três anos e já coleciona títulos — inclusive como recordista nacional em competições escolares.
“Pra ela é uma realização. E o Bolsa é um incentivo a mais”, conta. Segundo Juliana, o recurso acaba sendo usado em decisões da própria atleta. “Ela mesma fala o que quer comprar. Um tênis, alguma coisa pra viagem… é um complemento pra ela”, explica.
Mais inscritos e investimento maior em 2026
O crescimento do programa também aparece nos números. Segundo o coordenador Alisson Dias, o edital deste ano teve 151 inscrições — o maior volume desde a criação, em 2023. Ao todo, 110 atletas foram contemplados nesta etapa.
Os valores variam conforme a categoria, de R$ 150 a R$ 300 por mês, podendo chegar a R$ 3.600 por ano. Em 2026, o investimento total do município chegou a R$ 500 mil, cerca de 20% a mais do que no ano passado.
Resultados começam a aparecer
Na avaliação do secretário de Esportes, André Matto, o programa já começa a refletir em resultados esportivos. “Antes, a gente tinha pouca representatividade em nível nacional. Hoje já temos campeões brasileiros, pan-americanos e atletas competindo fora do país”, afirma.
Ele também aponta o crescimento no número de beneficiados. “Começamos com pouco mais de 100 atletas e agora estamos chegando perto de 135”, diz.
Mas, para além das medalhas, o impacto é outro. “É uma forma de manter o jovem no esporte, longe de outras situações, e dar oportunidade pra ele crescer”, resume.
Mais do que medalhas, permanência
Os relatos deixam claro que, em muitos casos, o Bolsa Atleta não é apenas um incentivo — é o que garante a permanência. Entre a vontade de continuar e a dificuldade de manter os custos básicos, o programa ocupa um espaço decisivo.
Em uma cidade que começa a projetar atletas para além do cenário local, o desafio agora parece ser ampliar esse alcance. Porque, como mostram as histórias, talento existe. O que muitas vezes falta é justamente o suporte para que ele continue.
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