Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) identificou que a demora do Ministério da Saúde na aquisição de vacinas contra a Covid-19 contribuiu para o descarte de pelo menos R$ 260 milhões em imunizantes da Coronavac.
As doses foram compradas em 3, durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após um processo que se estendeu por mais de sete meses. Quando chegaram, os lotes já apresentavam prazo de validade reduzido e enfrentavam baixa procura no Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com o relatório técnico do TCU, das 10 milhões de doses adquiridas, cerca de 8 milhões não chegaram a ser distribuídas e foram descartadas após o vencimento. O documento atribui a principal responsabilidade pela perda à lentidão na formalização do contrato, embora reconheça que o cenário exigia cautela devido ao risco de formação de grandes estoques sem possibilidade de troca ou devolução.
Em sua defesa, o Ministério da Saúde afirmou que herdou problemas na gestão de estoques e que seguiu as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), citando ainda incertezas sobre a demanda e o surgimento de novas variantes do vírus. No entanto, auditorias indicam que a própria pasta já previa, à época, uma baixa adesão da população à vacinação.
O caso segue em análise no TCU. A Corte cobra explicações de ex-gestores da área de compras e avalia possíveis falhas na condução do processo. Por ora, o tribunal entende que o desperdício das vacinas resultou de múltiplos fatores e ainda não determinou a devolução de recursos aos cofres públicos. Com: Guiame.