causas e o que fazer – CircuitoMT

Por Laura García Ortiz, Veterinária em medicina felina

Se seu gato se lambe muito, esse comportamento deve ser observado com atenção. Um gato que se lambe em excesso deve nos fazer pensar que pode estar passando por situações estressantes ou de ansiedade, que o levam a intensificar a própria higiene. Esse comportamento pode levar à alopecia psicogênica, estar relacionado à síndrome de hiperestesia felina ou, como acontece na maioria dos casos, ser causado por uma doença que provoca coceira. Entretanto, se a pergunta for “por que minha gata lambe a vagina em excesso”, você deve pensar que o problema pode estar no trato genital ou urinário.

Você já notou que sua gata lambe muito as genitais dela? Isso pode fazer parte do ciclo sexual da gata, portanto, se ela faz isso quando está no cio ou em ocasiões específicas, você não deve se preocupar. Mas, se ela o faz de forma compulsiva e frequente, pode indicar, entre outras coisas, que sua gata tem uma infecção ou inflamação em algum lugar do sistema geniturinário. Ela também pode ter uma ferida ou arranhão na área devido a um trauma.

Minha gata lambe muito suas partes íntimas: causas e o que fazer é o que vamos explicar neste artigo do PeritoAnimal. Boa leitura.

Índice

  1. Vaginite/vulvovaginite
  2. Gata lambendo a vagina no cio
  3. Piometra em gatas
  4. Metrite em gatas
  5. Doença do Trato Urinário Inferior Felino (DTUIF)
  6. Traumatismo em gatas
  7. O que fazer se minha gata lambe muito a vagina

Vaginite/vulvovaginite

Vaginite é a inflamação da vagina, vulvite é a inflamação da vulva e vulvovaginite é a inflamação da vulva e da vagina. Esse processo geralmente está associado a fatores predisponentes que favorecem infecções, tais como tumores vaginais, corpos estranhos ou malformações congênitas.

Entre os sintomas que uma gata com esses processos pode apresentar, além de lamber-se em excesso, estão a coceira e as secreções mucopurulentas decorrentes do processo infeccioso. A avaliação veterinária ajuda a identificar a causa e a indicar o tratamento adequado.

Gata lambendo a vagina no cio

Quando uma gata está no cio, a vulva pode ficar vermelha e inchada, mas isso não significa que ela tenha vulvite e, na maioria dos casos, essas alterações são imperceptíveis para nós. Entretanto, nossa gata percebe e pode se sentir estranha, começando a lamber a área. Se ela tiver uma infecção, porém, o excesso de lambidas será muito maior do que o considerado normal.

Saiba mais sobre o cio nos gatos neste outro artigo para saber como identificar todos os sintomas. Você também pode assistir a este vídeo: Se o comportamento continuar depois do cio ou vier acompanhado de secreção, dor ou dificuldade para urinar, procure um veterinário.

Piometra em gatas

A inflamação uterina é chamada de piometra, uma infecção bacteriana secundária com acúmulo de exsudato purulento dentro do útero. Ela pode ocorrer na fase lútea do ciclo sexual da gata, quando a progesterona é o hormônio dominante. Esse hormônio induz hiperplasia glandular uterina com dilatação cística das glândulas, o que predispõe a um rápido crescimento bacteriano. Além disso, ele inibe as defesas locais e a contratilidade do músculo uterino, o que aumenta o risco de infecção quando os exsudatos são liberados.

A piometra é muito mais frequente em cadelas do que em gatas. Nas gatas, a ovulação costuma ser induzida pela cópula, embora ovulações espontâneas também possam ocorrer. Isso significa que elas geralmente ovulam quando acasalam com o macho, pois o pênis do gato tem espículas que, ao se esfregarem nas paredes dos órgãos genitais da gata, induzem a ovulação.

Assim, se elas não são cobertas por um macho e não ovulam, a piometra não ocorre; por isso, a condição é menos comum em gatas domésticas que não têm acesso a machos. Também estão mais predispostas a sofrer disso as gatas submetidas à terapia com progesterona para suprimir o cio ou que apresentam uma pseudogestação (gravidez psicológica).

A piometra ocorre especialmente em gatas mais velhas. Pode ser aberta, se o conteúdo purulento do útero sair, ou fechada, se o colo do útero se fechar e o exsudato se acumular. A piometra fechada é mais grave, pois aumenta a quantidade de toxinas produzidas pelas bactérias acumuladas no útero; a septicemia pode ocorrer e levar à morte.

Os sinais clínicos da piometra incluem secreção sanguinolenta ou mucopurulenta pela vulva e, claro, a gata pode lamber muito a área se a piometra for aberta. Se a piometra for fechada, essas secreções não serão observadas, mas poderão surgir outros sinais, como febre, letargia, anorexia, distensão abdominal, desidratação, poliúria e polidipsia (a gata urina e bebe mais). A suspeita de piometra exige atendimento veterinário imediato, mesmo que não haja secreção visível.

Metrite em gatas

Sua gata acabou de ter filhotes? A metrite é uma inflamação do útero que pode ocorrer após o parto em gatas, devido à ascensão de bactérias da vagina para o útero. Geralmente, estão envolvidas bactérias como E. coli, estreptococos ou estafilococos. Na maioria das vezes, ocorre na primeira semana pós-parto, e os fatores de risco são partos complicados, manipulação obstétrica, morte fetal e retenção da placenta.

Além de observar que a gata se lambe em excesso na região da vulva, um animal com metrite apresentará febre, letargia, anorexia, corrimento vaginal sanguinolento ou mucopurulento e, muito frequentemente, rejeição dos filhotes. Como a mãe e os filhotes podem precisar de cuidados, esses sinais após o parto devem ser avaliados rapidamente por um veterinário.

Doença do Trato Urinário Inferior Felino (DTUIF)

A Doença do Trato Urinário Inferior Felino (DTUIF) é um grupo de doenças que compartilham sinais clínicos (dor ao urinar, micção em pequenas quantidades ou fora da caixa de areia, sangue na urina, entre outros) e podem levar a gata a lamber muito a vulva na tentativa de aliviar o desconforto. A causa mais comum de DTUIF é a cistite idiopática felina, seguida por cálculos urinários e obstruções na uretra. Outras causas menos comuns são cistite bacteriana, defeitos anatômicos ou tumores.

A cistite idiopática felina é uma patologia que causa inflamação na parede da bexiga do gato, intimamente relacionada ao estresse ao qual ele pode estar sujeito. Pode ser não obstrutiva ou obstrutiva, exigindo tratamento de emergência. É uma doença diagnosticada por exclusão, ou seja, depois que outros processos são descartados. A gata pode lamber-se muito por esse motivo. Se ela fizer força repetidamente para urinar e não conseguir, procure atendimento veterinário de urgência.

Os cálculos urinários (urolitíase) em gatos são geralmente de estruvita ou oxalato de cálcio. Eles podem causar doença renal aguda e hidronefrose, e gatas mais velhas, obesas e inativas são mais predispostas ao seu desenvolvimento. Enquanto os cálculos de estruvita podem ser dissolvidos pela alimentação e são mais comuns em gatos orientais e de pelo curto, os cálculos de oxalato ocorrem especialmente quando o cálcio está aumentado e não podem ser dissolvidos pela dieta urinária, exigindo ressecção cirúrgica e tratamento da hipercalcemia, se presente. A melhor prevenção de pedras nos rins é incentivar o consumo de água pelos gatos, evitar que se tornem obesos e tentar aumentar sua atividade. A escolha de uma alimentação específica deve ser feita com orientação veterinária, especialmente se já houver cálculos.

Traumatismo em gatas

Embora as causas acima sejam as mais comuns, também pode acontecer que sua gata tenha sofrido um trauma quando você percebe que ela se lambe muito, especialmente nas áreas íntimas. Qualquer golpe, arranhão ou trauma em geral pode deixar os órgãos genitais da gata irritados, avermelhados e doloridos ou causar prurido, o que levará ao aumento da frequência com que ela lambe a região. Se houver ferida, sangramento ou dor, procure um veterinário e não aplique pomadas ou produtos sem orientação.

O que fazer se minha gata lambe muito a vagina

Se sua gata lambe muito a vagina, isso pode ocorrer por um motivo leve e temporário ou por algo muito mais sério, que requer tratamento de emergência. Portanto, se você observar que ela se lambe em excesso nas partes íntimas, é melhor levá-la a um centro veterinário para que o problema seja tratado o mais rápido possível. Como orientação geral, os tratamentos para as causas mencionadas podem incluir:

  • Nos casos de vulvite, vulvovaginite e vaginite, podem ser utilizados antibióticos, assim como anti-inflamatórios. Esses medicamentos também podem ser usados em casos de trauma, juntamente com a limpeza da área.
  • Em casos de metrite pós-parto, é possível utilizar fármacos para evacuar o conteúdo do útero, tais como prostaglandina F2alpha ou cloprostenol, embora isso não seja recomendado em gatas muito doentes. Além disso, será necessário um tratamento agressivo com antibióticos de amplo espectro e terapia com fluidos antes de submetê-la a qualquer tratamento médico ou à esterilização após o desmame. Se a gata estiver muito fraca e rejeitar os filhotes, os gatinhos devem ser alimentados com mamadeiras.
  • A piometra fechada precisa de cuidados de emergência absolutos, com estabilização da gata e esterilização o mais rápido possível. Na piometra aberta, se a gata não for reproduzir, a castração deve ser realizada após o tratamento com fluidos, antibióticos, antiprogesterona ou prostaglandinas.

Essas medidas devem ser definidas pelo veterinário conforme o estado da gata e a causa do problema. Não ofereça medicamentos humanos nem interrompa um tratamento por conta própria.

Este artigo é meramente informativo, no PeritoAnimal.com.br não temos capacidade para receitar tratamentos veterinários nem realizar nenhum tipo de diagnóstico. Sugerimos-lhe que leve o seu animal de estimação ao veterinário no caso de apresentar qualquer tipo de condição ou mal-estar.

Se pretende ler mais artigos parecidos a Minha gata lambe muito suas partes íntimas: causas e o que fazer, recomendamos que entre na nossa categoria de Doenças do sistema reprodutor.

Referências

  1. Cat Carer Guide to Lower Urinary Tract Diseases (International Cat Care)
  2. Reproductive Disorders of Female Cats (MSD Veterinary Manual)

Bibliografia

  • S. M. Angulo. (2013). Reproducción y neonatología canina y felina. SERVET.
  • Harvey, A., Tasker, S. (Eds). (2014). Manual de Medicina Felina. Ed. Sastre Molina, S.L. L ́Hospitalet de Llobregat, Barcelona, España.

Fotos: Reprodução/Divulgação

Conteúdo publicado automaticamente pelo Portal Nortão News.

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