Uma cena incomum em uma estação pública da BYD chamou atenção na China durante o feriado do Dia Nacional e reacendeu discussões sobre segurança em carregadores ultrarrápidos.
Duas crianças foram filmadas usando como balanços os cabos suspensos e refrigerados a líquido de um carregador BYD Megawatt Flash Charging que estava em operação.
O episódio aconteceu em 2 de outubro, em uma área pública de recarga de livre acesso em Nanning, na Região Autônoma de Guangxi Zhuang.
As imagens mostram as crianças segurando os conectores e ficando com os pés fora do chão durante o movimento, enquanto adultos registravam a cena.
A BYD confirmou em 4 de outubro que esse tipo de uso dos equipamentos é estritamente proibido e enviou equipes de manutenção para verificar a estação.

A fabricante também informou que pretende reforçar o monitoramento das unidades e ampliar as inspeções físicas após a grande repercussão das imagens nas redes sociais chinesas.
O Megawatt Flash Charger utiliza um sistema peculiar de cabos elevados por causa do peso das linhas refrigeradas a líquido necessárias para trabalhar com correntes muito elevadas.
Apresentado junto à Super e-Platform em março de 2025, o equipamento trabalha sobre arquitetura elétrica de 1.000 V e suporta taxas máximas de recarga de até 10C.
O sistema pode entregar potência equivalente a cerca de 1.360 cv a 1.000 V e 1.000 A, enquanto seu limite teórico chega aproximadamente a 2.039 cv com 1.500 A.
Para facilitar o manuseio, a BYD instalou os cabos em um trilho superior em formato de T, equipado com um mecanismo retrátil acionado por mola.

Essa estrutura sustenta o peso da linha, deixa o conector aproximadamente na altura do peito e impede que o cabo fique arrastando sobre superfícies molhadas ou sujas.
O problema surge quando esse conjunto é utilizado de maneira diferente da prevista, pois o conector suspenso pesa entre 3 kg e 5 kg.
Movimentos repetidos de balanço submetem o trilho, os braços retráteis, as conexões e os pontos de sustentação a esforços muito diferentes daqueles encontrados durante o uso convencional.
O risco elétrico imediato tende a ser limitado enquanto o conector permanece fora do veículo, graças aos sistemas de proteção previstos pelas normas chinesas GB/T 18487.1 e GB/T 20234.
Os contatores principais permanecem abertos nessa condição, e a alta tensão somente é liberada depois da conexão ao veículo e das verificações de travamento, controle e comunicação.
A preocupação técnica maior está na possibilidade de desgaste estrutural provocado por esforços transversais repetidos, principalmente nos cabos e nas articulações responsáveis pela sustentação do conjunto.

Cabos desse tipo têm construção interna complexa, reunindo condutores flexíveis de alta corrente, linhas de comunicação e canais responsáveis pela circulação do líquido de refrigeração.
Dobras repetidas e movimentos laterais intensos podem comprometer componentes internos ou o condutor de proteção elétrica sem necessariamente deixar sinais claros na superfície externa.
Uma degradação desse tipo poderia aumentar os riscos durante uma recarga posterior, especialmente diante das elevadas correntes usadas pelos sistemas de carregamento da categoria megawatt.
O próprio peso do conector também cria outro problema, já que uma perda de apoio durante o movimento pode fazer a peça pesada atingir quem estiver próximo.
As normas chinesas atuais incluem verificações mecânicas como compressão de 5.000 N por passagem de veículo e testes de tração linear entre 200 N e 400 N.
Essas avaliações, porém, reproduzem condições específicas e não necessariamente movimentos pendulares repetidos e de grande amplitude aplicados a sistemas suspensos instalados em espaços públicos.
A situação ganha relevância justamente durante a rápida expansão da infraestrutura da BYD, que já ultrapassou 10 mil estações Megawatt Flash Charging operacionais na China.
A meta doméstica é chegar a 20 mil unidades até o fim de 2026, enquanto os planos internacionais preveem 6 mil estações até o fim de 2027.
Desse total internacional, 3 mil unidades estão previstas para a União Europeia e outras 300 para o Reino Unido.
A expansão para locais comerciais abertos ao público aumenta a necessidade de considerar não apenas o uso convencional pelos motoristas, mas também comportamentos inadequados previsíveis em equipamentos expostos.
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