Ter um carro em Singapura exige um nível de renda incomum, porque até modelos considerados acessíveis em outros mercados alcançam valores comparáveis aos de esportivos de luxo.
Segundo a Reuters, o país é atualmente o lugar mais caro do mundo para comprar um automóvel, resultado principalmente de um sistema criado para limitar a frota.
Um Mercedes GLE novo, por exemplo, parte de US$ 447.783 (R$ 2,3 milhões), valor próximo de US$ 100.000 (R$ 509.400) acima do preço-base de um McLaren 750S nos Estados Unidos.
A explicação começa pelas dimensões limitadas da ilha, que levaram o governo a adotar o Vehicle Quota System para controlar quantos veículos podem circular.
O elemento central dessa estrutura é o Certificate of Entitlement, conhecido como COE, autorização obtida em leilões realizados duas vezes por mês.

Depois de adquirir um COE, o proprietário pode registrar e utilizar o veículo por dez anos, antes de precisar renovar o direito de circulação.
Na categoria A, destinada a determinados carros de até 1.600 cm³ e aproximadamente 132 cv, além de EVs de até cerca de 149 cv, o COE custa US$ 96.836 (R$ 493.300).
O valor divulgado pela Land Transport Authority em 5 de agosto representa pequena redução diante do recorde registrado em julho, de US$ 100.829 (R$ 513.600).
Mesmo essa queda pouco muda a conta final, porque o custo da autorização ainda precisa ser somado ao preço do próprio automóvel.
Um Honda Civic LX custa US$ 25.890 (R$ 131.900) nos Estados Unidos, já considerando as taxas de destino e preparação cobradas naquele mercado.
Já um Honda Civic novo sem sistema híbrido chega a US$ 165.626 (R$ 843.700) em Singapura, mostrando como um carro convencional assume posicionamento financeiro muito diferente.

Esse preço supera inclusive a renda familiar anual mediana do país, calculada em US$ 116.737 (R$ 594.700), segundo os números apresentados.
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O sistema possui cinco categorias, identificadas como A, B, C, D e E, cada uma voltada a diferentes tipos de veículos e níveis de desempenho.
A categoria B cobre carros acima de 1.600 cm³ e aproximadamente 132 cv, além de EVs com potência superior a cerca de 149 cv.
Atualmente, um COE da categoria B custa US$ 101.540 (R$ 517.200), colocando somente a autorização acima do preço de muitos automóveis completos em outros países.
Veículos comerciais e ônibus entram na categoria C, cujo COE está em US$ 71.553 (R$ 364.500), enquanto a categoria D atende motocicletas.
Nesse último grupo, a autorização custa US$ 8.209 (R$ 41.800), ainda uma quantia elevada considerando que não inclui o preço do próprio veículo.
A categoria E funciona de maneira aberta para praticamente todos os veículos, exceto motocicletas, e atualmente exige US$ 102.392 (R$ 521.600).
Todos os COEs são intransferíveis, com exceção daqueles das categorias C e E, detalhe que limita ainda mais a flexibilidade para proprietários após a compra.
Quem pretende conservar o mesmo carro depois dos dez anos precisa pagar o Prevailing Quota Premium, ou PQP, calculado pela média móvel dos COEs dos três meses anteriores.
A renovação precisa acontecer antes do vencimento ou dentro de uma janela de apenas um mês, período após o qual o veículo deve deixar de ser utilizado.
Apesar dos custos, a procura permanece alta, e o leilão mais recente recebeu 1.522 propostas para a categoria A e 1.316 para a B.
A Land Transport Authority também registrou 591 propostas para a categoria D e outras 443 para a E, indicando que os valores elevados não eliminam a demanda.
Singapura transforma assim o simples direito de registrar um automóvel em uma das parcelas mais caras da compra, fazendo até um Honda Civic exigir orçamento de carro de luxo.
