A desaceleração do setor automotivo começa a pesar diretamente sobre a Bosch, que vê sua principal divisão perder força justamente enquanto outras áreas sustentam o crescimento do grupo.
A companhia alemã manteve suas projeções para 2026 depois de registrar aumento de 3,6% na receita durante os primeiros seis meses do ano.
O faturamento chegou a € 46,4 bilhões (R$ 273,6 bilhões), impulsionado principalmente pelo negócio de aquecimento e refrigeração adquirido recentemente pela empresa.
Apesar do avanço nas receitas totais, a produção automotiva praticamente estagnada e a procura por EVs abaixo das expectativas pressionaram a rentabilidade das operações ligadas aos veículos.
A situação da Bosch acompanha um movimento mais amplo da indústria, com fabricantes reduzindo produção e investimentos diante de demanda mais fraca e concorrência crescente das marcas chinesas.
Outro fator está na eletrificação, cuja evolução tem sido mais lenta e cara do que muitos fornecedores haviam previsto ao preparar fábricas e equipamentos para essa transformação.
A divisão Mobility, responsável pela fabricação de componentes automotivos, foi justamente o principal peso negativo durante o primeiro semestre, registrando redução nas vendas e menor margem.
A Bosch reconheceu € 270 milhões (R$ 1,6 bilhão) em perdas relacionadas a equipamentos produtivos porque a expansão dos EVs continua abaixo do ritmo originalmente esperado.
A margem operacional de todo o grupo caiu de 5,1% para 4,6% durante os seis meses encerrados em junho, mostrando a pressão sobre os resultados.
Mesmo assim, a Bosch preservou sua projeção anual de crescimento das vendas entre 2% e 5%, acompanhada por margem operacional entre 4% e 6%.
A companhia também reduziu mais de 6.500 postos durante o primeiro semestre, sendo aproximadamente 4.000 deles localizados na Alemanha.
Um dos grandes clientes da Bosch, o Grupo Volkswagen, também revisou recentemente sua previsão de lucro após enfrentar forte retração de seus negócios na China.
A Volkswagen ainda apontou que o crescimento mais rápido das vendas de EVs na Europa está reduzindo sua rentabilidade, mesmo diante da maior procura por esses modelos.
Isso acontece porque veículos movidos somente por bateria normalmente apresentam margens menores do que equivalentes equipados com motores a combustão, alterando a composição financeira das vendas.
Para fornecedores como a Bosch, o cenário cria uma dificuldade adicional, pois investimentos realizados antecipadamente para atender uma expansão acelerada da eletrificação podem demorar mais para gerar retorno.
Ao mesmo tempo, fabricantes tradicionais precisam responder à crescente presença de concorrentes chineses, que aumentaram sua participação justamente em segmentos ligados a eletrificação e tecnologia.
A Bosch permanece como a maior fornecedora automotiva mundial no levantamento da Automotive News Europe, posição que mostra a dimensão de sua exposição às mudanças do setor.
As vendas globais da companhia para fabricantes de veículos alcançaram US$ 63,08 bilhões (R$ 324,3 bilhões) em 2025, segundo o ranking dos 100 maiores fornecedores.
O desempenho recente mostra que o crescimento de outras divisões ainda consegue compensar parcialmente a fraqueza automotiva, mas a Mobility permanece como ponto central para os resultados.
A manutenção das metas para 2026 indica que a Bosch ainda espera permanecer dentro de suas projeções, apesar da combinação entre produção estagnada, eletrificação mais lenta e margens menores.
O que você achou disso?
Clique nas estrelas
Média da classificação 0 / 5.
Número de votos: 0
