A corrida pelas baterias de estado sólido ganha um marco comercial relevante, pois a ProLogium inicia a produção em série de células com elevada densidade energética.
A fabricante colocou em produção sua Lithium Ceramic Battery Generation 3.5, que alcança 381 Wh/kg e 903 Wh/L em uma célula de grande formato com 185,4 Ah.
O anúncio ocorreu em 2 de setembro e posiciona a tecnologia além da fase puramente experimental, embora ainda existam desafios importantes para aplicações automotivas em grande escala.
A ProLogium mantém um acordo de cooperação tecnológica com a Mercedes-Benz e também já trabalhou com Nio e Aiways em desenvolvimento e veículos de demonstração.
A TÜV Rheinland verificou os números de densidade energética, enquanto a UL Solutions submeteu a célula à metodologia chinesa GB/T 43568-2026 para baterias totalmente sólidas.

Durante o procedimento, a célula permaneceu seis horas sob vácuo contínuo a 120°C e apresentou perda de massa inferior a 0,05%.
O resultado fica bem abaixo do limite de 0,5% estabelecido pela metodologia, permitindo que a tecnologia receba a classificação de bateria totalmente sólida nesse padrão.
Essa diferenciação ganhou importância na China porque diferentes arquiteturas vêm sendo comercializadas sob a mesma denominação, mesmo quando determinadas soluções ainda mantêm eletrólito líquido.
A ProLogium afirma ainda que a China apresentou esse padrão à International Electrotechnical Commission, IEC, como referência para um futuro processo internacional de padronização.
A Gen 3.5 utiliza a arquitetura Logithium de grande formato, combinando separador cerâmico e uma estrutura integrada nas bordas para vedação e isolamento.

A fábrica de Taoyuan, descrita pela empresa como instalação em escala Giga, opera inicialmente com capacidade anual de 0,5 GWh.
Os planos preveem expansão para uma faixa entre 1 GWh e 2 GWh, enquanto os atuais 0,5 GWh equivaleriam teoricamente a cerca de 6.250 baterias de 80 kWh por ano.
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Esse volume comprova uma operação industrial, mas permanece pequeno diante da capacidade necessária para abastecer EVs de passageiros produzidos em grande quantidade.
A empresa também informa que os embarques acumulados de suas células LCB já superam 2,4 milhões de unidades em aplicações de consumo, especiais e automotivas.
Esse total, porém, não representa 2,4 milhões de células destinadas a baterias de tração de alta tensão utilizadas diretamente na propulsão de EVs.

Entre os negócios automotivos divulgados estão mais de 900.000 células fornecidas a uma empresa americana de sistemas de áudio para veículos de uma fabricante japonesa produzidos na América do Norte.
A ProLogium também afirma ter fornecido aproximadamente 10.000 amostras de baterias automotivas, indicando atividade de qualificação sem representar ainda um programa de grande volume.
Os 381 Wh/kg colocam a Gen 3.5 acima da densidade energética de muitas células automotivas convencionais de íons de lítio atualmente disponíveis.
Já os 903 Wh/L ganham importância porque tanto o peso quanto o espaço disponível para instalação limitam diretamente o projeto das baterias e dos veículos.
Esses números pertencem à célula, enquanto estrutura, refrigeração, proteção elétrica e gerenciamento acrescentam massa e volume quando a tecnologia é transformada em um conjunto completo.
O custo continua sendo outro obstáculo, pois células LFP destinadas ao grande mercado chinês aparecem na faixa de 300 a 400 yuans (R$ 230 a R$ 310) por kWh.
A ProLogium não divulgou um custo de produção diretamente comparável para a Gen 3.5, portanto ainda não é possível determinar a diferença econômica entre as tecnologias.
A empresa também aposta em uma arquitetura baseada em cerâmica, enquanto grupos chineses e japoneses desenvolvem alternativas, incluindo sistemas de sulfeto com características distintas de fabricação e interfaces.
O próximo grande passo está na França, onde a ProLogium planeja uma fábrica em Dunkirk com fase inicial de 4 GWh anuais.
O projeto possui capacidade máxima prevista de 44 GWh, e sua primeira etapa deverá crescer progressivamente até 2030, segundo o cronograma divulgado pela companhia.
Somente a fase inicial francesa seria oito vezes maior que os atuais 0,5 GWh de Taoyuan, mostrando a diferença entre produção comercial inicial e escala automotiva ampla.
A Gen 3.5 já ultrapassa a etapa de laboratório, mas o teste decisivo será transformar 381 Wh/kg em baterias competitivas em custo, durabilidade, rendimento industrial e desempenho completo.
