A Nissan voltou a expor publicamente o tamanho do desafio que enfrenta para recuperar sua competitividade. Depois de anunciar uma ampla reestruturação global, um dos principais executivos da fabricante afirmou que a empresa precisa colocar novos modelos nas ruas muito mais rapidamente. Caso contrário, o futuro da marca estará em risco.
A declaração foi dada por Kazuyuki Yamaguchi, vice-presidente corporativo da divisão de Pesquisa e Desenvolvimento (R&D), durante entrevista ao Automotive News. Segundo o executivo, a Nissan não pode mais manter o ritmo tradicional de desenvolvimento de veículos, considerado lento demais diante das mudanças na indústria.
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Fonte: Nissan
“Precisamos introduzir produtos atraentes no mercado mais rapidamente. Caso contrário, não vamos sobreviver. É uma mensagem muito simples”, afirmou Yamaguchi.
O executivo explica que o antigo processo de desenvolvimento era excessivamente burocrático e consumia tempo demais.
“Antes, o desenvolvimento de produtos era muito democrático, mas também muito demorado. Não temos mais esse luxo. Hoje o processo é mais enxuto, eliminando etapas ineficientes e reduzindo significativamente o cronograma.”

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Fonte: Mario Villaescusa / Motor1.com
Nissan quer lançar carros muito mais rápido
A principal mudança será justamente no tempo necessário para desenvolver novos veículos. Hoje, um modelo totalmente inédito leva cerca de 52 meses para ficar pronto. A meta da Nissan é reduzir esse prazo para 37 meses, ou até menos. Já os modelos derivados de uma mesma plataforma deverão passar de aproximadamente 50 meses para apenas 30 meses de desenvolvimento.
Segundo a empresa, a inspiração vem do chamado “China Speed”, expressão usada pela indústria para definir a velocidade com que as montadoras chinesas conseguem desenvolver e lançar novos produtos.
Essa aceleração faz parte de uma estratégia mais ampla para simplificar a operação global da fabricante. Entre as metas anunciadas estão a redução do número de plataformas, que passará de 13 para apenas sete até meados da próxima década, além de diminuir em até 70% a complexidade dos componentes utilizados nos veículos.
A própria gama de produtos também ficará menor. A Nissan pretende reduzir seu portfólio global de 56 para 45 modelos, organizados em quatro categorias: Heartbeat, Core, Growth e Partner.

Renderização do Nissan Skyline 2027 por Motor1.com
Foto de: Theophilus Chin | Motor1
Novo Skyline inaugura a nova estratégia
De acordo com Yamaguchi, a próxima geração do Skyline, prevista para estrear ainda neste inverno no Japão, foi desenvolvida em apenas 26 meses, tornando-se o primeiro veículo criado dentro da nova filosofia de desenvolvimento da Nissan. O sedã terá um modelo equivalente da Infiniti para o mercado norte-americano, cotado para substituir o atual Q50.
Na sequência, a fabricante também prepara o retorno do Xterra, SUV com carroceria sobre chassi que terá missão de ser um modelo de volume na América do Norte. Já a próxima GT-R, o Godzilla, será movido a combustão mas ainda levará vários anos para chegar ao mercado. O mesmo vale para a nova geração do Nissan Z, que não deve ser lançada antes de 2030.

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Fonte: Mario Villaescusa / Motor1.com
Reestruturação vai além dos novos carros
A aceleração do desenvolvimento faz parte de um amplo processo de reorganização iniciado pela Nissan neste ano. Além de reduzir o tempo de criação dos novos veículos, a fabricante já anunciou o fechamento de sete fábricas e dois estúdios de design, além do corte de aproximadamente 20 mil funcionários em todo o mundo.
A empresa também pretende reduzir sua capacidade global de produção em um milhão de veículos por ano e abandonar a antiga estratégia de perseguir volume de vendas a qualquer custo, priorizando rentabilidade e produtos mais competitivos.
As mudanças ocorrem em um momento decisivo para a montadora japonesa, que tenta recuperar sua posição no mercado global diante do avanço das fabricantes chinesas e da crescente velocidade com que novos modelos chegam às concessionárias.

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Fonte: Motor1 Brasil
E o Brasil?
Embora o plano anunciado pela Nissan tenha alcance global, parte dessa estratégia já começa a aparecer nos planos da marca para o mercado brasileiro. A fabricante pretende renovar sua linha aproveitando produtos desenvolvidos em parceria com a chinesa Dongfeng, reduzindo custos e acelerando a chegada de novos modelos.
Um dos principais candidatos é o Nissan N7, sedã elétrico desenvolvido na China e apontado como sucessor do Sentra no Brasil. Recentemente, Jorge Moraes, colunista da CNN, revelou que a marca decidiu não importar a nova geração do sedã fabricado no México por entender que ela teria pouca competitividade diante de um segmento cada vez mais dominado por modelos eletrificados.

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Fonte: Nissan
Quem também deve desembarcar por aqui é a Frontier Pro, picape eletrificada apresentada durante o Japan Mobility Show de 2025. O modelo foi mostrado ao Motor1.com Brasil durante o evento e faz parte da estratégia global da Nissan para ampliar a presença de veículos desenvolvidos em parceria com a Dongfeng em mercados como a América Latina.
A expectativa é que, no futuro, ela ocupe o espaço deixado pela atual Frontier. Hoje, a picape segue sendo vendida no Brasil apenas com estoques remanescentes da produção argentina, encerrada no fim de 2025. A renovação da linha nacional com produtos de origem chinesa mostra que a estratégia de acelerar o desenvolvimento de novos veículos não deve ficar restrita aos principais mercados da Nissan.
Fonte: Automotive News

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