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Michael Leiters enxuga a Porsche rapidamente, mas a grande dúvida continua sendo quais carros vão devolver força e rentabilidade à marca

Porsche Ceo Michael Leiters

Enxugar a estrutura já não parece suficiente para a Porsche, que agora precisa decidir quais carros sustentarão sua rentabilidade e sua identidade durante a próxima década.

Michael Leiters acelerou essa transformação desde que assumiu o comando, acertando a redução de 5.000 postos e retirando negócios considerados distantes da atividade principal.

Nesta semana, em Mumbai, a Porsche anunciou a venda da consultoria de gestão e tecnologia MHP para a Tata Consultancy Services por € 320 milhões (R$ 1,9 bilhão).

A operação transfere mais de 4.500 funcionários à companhia indiana e integra uma parceria estratégica de cinco anos entre TCS e Porsche para transformação digital.

Mesmo rentável, a MHP registrou aproximadamente € 743 milhões (R$ 4,4 bilhões) em receita em 2025, mas Leiters prefere concentrar recursos na produção de esportivos.

Porsche 911 Challenge 7
Porsche 911 Challenge 7

A decisão segue a saída das participações em Bugatti Rimac e Rimac Group, além do encerramento das atividades de Cellforce Group, Porsche eBike Performance e Cetitec.

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Essas mudanças afetam mais de 500 funcionários, enquanto o acordo trabalhista dos 5.000 postos também reduz pagamentos extraordinários e endurece exigências de presença física.

Em contrapartida, a Porsche comprometeu € 2,1 bilhões (R$ 12,5 bilhões) em investimentos nas instalações de Stuttgart-Zuffenhausen e Weissach, preservando áreas consideradas estratégicas.

Apesar da reorganização, investidores ainda aguardam a parte decisiva do plano: entender quais modelos formarão uma Porsche menor, mais focada e potencialmente mais rentável.

Leiters considera que a gama atual possui versões demais e sobreposição excessiva, exemplificada pela convivência entre o Cayenne elétrico e sua alternativa com motor a combustão.

Porsche Macan Turbo Electric Preto 4
Porsche Macan Turbo Electric Preto 4

O projeto mais definido é o M1, SUV relacionado ao Macan que poderá usar a arquitetura Premium Platform Combustion da Audi e chegar já em 2028.

Por razões de custo, o modelo deverá compartilhar componentes de propulsão com o Audi Q5 e também poderá ganhar uma configuração híbrida plug-in.

Outra possibilidade envolve um novo supercarro, segmento ausente desde o 918 Spyder e considerado adequado à intenção de reforçar novamente a imagem esportiva da marca.

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Uma alternativa estudada aproveitaria tecnologias do Audi Nuvolari, previsto para produção limitada a 499 unidades e relacionado tecnicamente ao Lamborghini Temerario.

O Nuvolari terá aproximadamente 1.015 cv, e compartilhar sua base permitiria diluir custos dentro do Volkswagen Group antes de uma decisão esperada após as férias de verão.

Já o 911 permanece intocável no centro da estratégia, depois de superar 50.000 unidades vendidas em 2025 e estabelecer um novo recorde para o modelo.

Leiters descartou um 911 totalmente elétrico, embora uma versão híbrida mais potente possa ampliar a gama sem abandonar a arquitetura mecânica associada historicamente ao esportivo.

A Porsche também avalia um SUV de sete lugares acima do Cayenne, depois de adiar indefinidamente o projeto elétrico K1 originalmente planejado para essa posição.

Esse modelo poderá utilizar tecnologia da Audi relacionada à plataforma PPC do futuro Q9, mirando principalmente a América do Norte e uma possível estreia por volta de 2029.

A marca ainda descarta fabricá-lo nos Estados Unidos, inclusive em conjunto com a Audi, porque considera que os volumes previstos não justificariam o investimento industrial necessário.

Outra fonte de margem pode vir do programa Sonderwunsch, dedicado a veículos altamente personalizados para clientes dispostos a pagar valores elevados por configurações exclusivas.

O Flachbau único apresentado na Monterey Car Week mostrou esse potencial, mas a capacidade atual limita pedidos por pinturas especiais, acabamentos específicos e detalhes feitos sob encomenda.

A transferência da produção do Taycan para Leipzig, proposta anteriormente, foi abandonada, deixando o modelo em Zuffenhausen pelo menos até o fim da década.

Mesmo assim, imóveis já adquiridos pela Porsche em Zuffenhausen podem abrir espaço para ampliar as operações de personalização conforme a redução do quadro libera áreas existentes.

A resposta mais completa deverá aparecer em 7 de outubro, quando Leiters pretende apresentar aos investidores a estratégia que definirá produtos, prioridades e dimensão da nova Porsche.

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